Escalada da violência contra territórios tradicionais no norte de em Minas Gerais
A Comunidade Pesqueira e Vazanteira de Canabrava, em Buritizeiro/MG, enfrenta uma nova onda de ataques que ameaça sua permanência no território e agrava a insegurança alimentar das famílias. Nos dias 22 e 23 de fevereiro, cabeças de gado foram soltas de forma irregular, destruindo plantações de milho, mandioca, banana e hortaliças, pisoteando a sede comunitária e comprometendo ainda mais a estrutura da associação local. Esse episódio não é isolado, mas parte de uma estratégia sistemática de pressão para expulsar a comunidade, que luta pela regularização fundiária desde que foi despejada de seu território original em 2017.
Ameaças constantes e resistência da comunidade
A violência contra a comunidade de Canabrava se insere em um contexto mais amplo de crescimento da repressão e das disputas fundiárias em Minas Gerais. O estado lidera os conflitos agrários no Brasil, registrando 103 ocorrências em um único ano, afetando mais de 10 mil famílias (CPT, 2022).
Após a reintegração de posse forçada em 2017, os moradores de Canabrava passaram a viver em uma
área alagável às margens do Rio São Francisco, sem acesso a infraestrutura adequada e enfrentando deslocamentos sucessivos. Em 2022, com o agravamento das cheias do rio, a situação da comunidade se tornou ainda mais crítica. Desde então, estratégias violentas têm sido utilizadas para inviabilizar a permanência dos moradores, incluindo a destruição recorrente de lavouras e espaços coletivos.
O Instituto DH, por meio do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, Comunicadores e Ambientalistas de Minas Gerais (PPDDH-MG), acompanha com preocupação a escalada da violência e o aumento das ameaças diretas às lideranças da região. O Conselho Pastoral dos Pescadores (CPP), que também monitora a situação, cobra providências imediatas para garantir a segurança da comunidade e a regularização do território tradicional.
Encontros estratégicos em Belo Horizonte fortalecem a luta de comunidades tradicionais e quilombolas
Entre os dias 17 e 19 de fevereiro, lideranças de Canabrava, junto com outros representantes de comunidades tradicionais da região do Rio São Francisco, participaram de reuniões estratégicas em Belo Horizonte para denunciar a grilagem de terras, perseguições contra defensores de direitos humanos e restrição ao acesso a direitos fundamentais. A mobilização foi articulada pelo Instituto DH, gestor do PPDDH-MG, com o apoio do Conselho Pastoral dos Pescadores (CPP), reunindo órgãos como Defensoria Pública, Ministério Público Federal (MPF) e Subsecretaria de Direitos Humanos de Minas Gerais, Comissão Pastoral da Terra (CPT) e mandatos das parlamentares Bella Gonçalves e Célia Xacriabá. Durante o encontro, foi reafirmada a urgência da titulação dos territórios de comunidades tradicionais e quilombolas, da fiscalização de violações e da proteção de defensoras e defensores ameaçados. Além disso, foram consolidadas articulações essenciais e importantes propostas e encaminhamentos para fortalecer, em rede, a segurança da comunidade.
Pressão social por medidas concretas
O Instituto DH, por meio do PPDDH-MG, reforça a necessidade de ações urgentes do Estado para garantir a proteção da Comunidade de Canabrava. A destruição das lavouras e a ameaça constante à comunidade exigem uma resposta imediata das autoridades para impedir novas violações e assegurar o direito das famílias ao território tradicional.
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Fotografias: imagens captadas por membros da comunidade Canabrava e cedidas pelo Conselho Pastoral dos Pescadores.
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