No sábado, 25 de janeiro de 2025, Brumadinho recebeu a IV Romaria pela Ecologia Integral, um ato simbólico que reuniu centenas de familiares das vítimas, movimentos sociais, organizações da sociedade civil e religiosos. O evento, realizado no marco dos seis anos do desastre-crime da Vale, que tirou 272 vidas em 2019, teve como objetivo manter viva a memória das vítimas e cobrar justiça e reparação. A tragédia, que devastou o Córrego do Feijão e causou impactos irreparáveis às comunidades locais, trabalhadores e ao meio ambiente, segue como um símbolo de dor e resistência. A Romaria uniu espiritualidade e reivindicação política, reafirmando a urgência de transformar o modelo econômico que coloca o lucro acima da vida e da preservação ambiental.
A programação teve início com uma celebração religiosa marcada por emoção e espiritualidade, onde as vítimas foram lembradas e a luta por justiça foi reafirmada como uma causa coletiva. Em seguida, os participantes realizaram uma caminhada pelas áreas afetadas, carregando faixas com mensagens de justiça e entoando palavras de ordem. A mobilização, além de homenagear as vidas perdidas, fortaleceu a cobrança por mudanças estruturais que impeçam a repetição de tragédias semelhantes.
Durante o evento, a IV Romaria também trouxe debates sobre o impacto contínuo do modelo de mineração predatório no Brasil, destacando que Brumadinho é apenas um dos exemplos de uma lógica econômica que destrói vidas, territórios e o meio ambiente. A coordenadora do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, Comunicadores e Ambientalistas de Minas Gerais (PPDDH-MG), Maria Emília da Silva, enfatizou a importância da articulação entre sociedade civil, autoridades e comunidades para prevenir novas tragédias: “Somados aos moradores de Brumadinho e regiões vizinhas, comunidades indígenas e quilombolas têm se mobilizado para garantir participação e controle social nos processos de reparação. Essa luta é essencial para enfrentar as desigualdades sociais e ambientais aprofundadas pelo crime da Vale, assegurando que a reparação seja um direito e não um privilégio acessível apenas a alguns”.
A necessidade de medidas que protejam lideranças indígenas, ambientais e sociais também foi ressaltada, dada a vulnerabilidade enfrentada por essas pessoas em suas lutas por direitos e territórios. Nesse sentido, Maria Emília faz questão de lembrar que “nestes cinco anos de luta por memória e justiça, muitas pessoas que se sentiram ameaçadas buscaram respaldo no Programa de Proteção às Defensoras e Def
ensores de Direitos Humanos. As intimidações e violações são usadas como estratégia para enfraquecer as comunidades atingidas e postergar as reparações devidas. Esses ataques evidenciam os esforços das mineradoras para desmobilizar a resistência e despolitizar a luta por direitos. No entanto, momentos como a Romaria reafirmam o compromisso coletivo com a vida e com a responsabilização dos culpados por essa tragédia”.
Ano após ano, a Romaria se consolida como um espaço essencial de memória e articulação social, conectando as pautas de Brumadinho a lutas mais amplas contra o modelo predatório de mineração no Brasil. O evento não é apenas uma homenagem às vítimas, mas um grito por justiça que reverbera em todo o país, transformando o luto em compromisso por mudanças estruturais. A IV Romaria faz parte de um movimento maior por justiça socioambiental, ressaltando a urgência do engajamento coletivo para evitar que tragédias como a de Brumadinho voltem a acontecer.
Fotografia 1 : Felipe Cunha/ AEDAS – MG
Fotografias 2 e 3: Mauri de Carvalho / PPDDH-MG