Pular para o conteúdo

Liderança e Luta: A Coragem de Laura na Defesa dos Direitos Humanos





O Instituto DH, organização dedicada à promoção, pesquisa e intervenção em direitos humanos e cidadania, responsável pela execução do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, Comunicadores e Ambientalistas de Minas Gerais (PPDDH-MG), manifesta seu apoio e solidariedade a Laura Sabino.

Em tempos de ataques à democracia, à educação e aos Direitos Humanos, lideranças como a de Laura Sabino se tornam ainda mais indispensáveis — e, paradoxalmente, mais visadas.

Tem sido vítima, sobretudo da produção de notícias falsas, as famosas “fake news”, ameaças de morte, de estupro, o que tem trazido muitos desconfortos e prejudicado o trabalho da ativista colocando em risco a sua vida.

Natural de Ribeirão das Neves (MG), Laura cresceu na periferia e desde cedo participou de organizações populares dedicando-se à construção de Cursinhos Populares de sua cidade que oferta diversos serviços gratuitos como psicólogos populares, pré-Enem e cozinha popular; além de ter construído sua trajetória atuando desde a adolescência em coletivos de mulheres vítimas de violência.

Laura se declara marxista e militante do MST, sendo considerada uma das youtubers mais relevantes ligada à formação política de esquerda. Ela é partidária das ideias de Antônio Gramsci, defendendo a importância da educação política para romper o domínio ideológico das classes dominantes. Em virtude de sua atuação nas redes sociais, sofreu represálias por parte da extrema-direita nas redes sociais; contudo, mantem-se com os pés no chão da realidade e o olhar firme voltado para a transformação social, resistência popular e luta pela democracia.

Apesar de sua luta ser por dignidade, igualdade e justiça Laura enfrenta diariamente uma verdadeira campanha de ódio. Através de crimes cibernéticos, fakenews, ameaças físicas e psicológicas.

Sua atuação tem sido sistematicamente sabotada por setores da extrema-direita que enxergam em sua voz um risco à manutenção do status quo. A tentativa é clara: silenciar quem ousa desafiar as estruturas de poder.

Filha de professor, Laura cresceu entre a sala de aula e a resistência dos movimentos sociais. Durante sua infância e adolescência, seu pai atuou como professor da rede pública de Belo Horizonte e em assentamentos por meio do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (PRONERA). Desde sua adolescência participou de coletivos de acolhimento a mulheres vítimas de violência, movimentos sociais e cozinhas populares

Entretanto, a visibilidade de seu trabalho nas redes sociais que multiplica seu alcance também a expõe a violências brutais. Laura é vítima de uma violência sistemática que não visa apenas sua intimidação ndividual, mas também o enfraquecimento de toda uma coletividade que ela representa. As intimidações e violências a que está exposta, não é um caso isolado, mas reflexo de um sistema que não tolera vozes dissidentes, especialmente quando essas vozes vêm da favela, são femininas, de esquerda e combativas. Trata-se de um projeto político que busca criminalizar sua militância, desmontar as redes de solidariedade e fazer com que cada liderança popular tema pela própria vida e sofra violência física e psicológica.

Nesse contexto, a luta de Laura simboliza mais do que resistência: ela escancara a urgência da ampliação de políticas públicas de segurança a defensores e defensoras de direitos humanos que lhes garantam o direito de expressão. É preciso garantir que ativistas como ela possam continuar seu trabalho sem medo, com dignidade, segurança e respeito.

Laura Sabino luta todos os dias com sua voz ecoando nas redes sociais para construir um mundo melhor um mundo onde ninguém precise temer por sua integridade por defender o óbvio: justiça social, acesso à educação e dignidade para todas as pessoas. E se hoje ela resiste, é nossa responsabilidade coletiva assegurar que continue resistindo, firme, inteira e protegida.

Devido às constantes intimidações, ameaças, fake News e ataques, em dezembro de 2024, Laura foi incluída no Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos de Minas Gerais (PPDDH/MG), uma parceria entre o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania e a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social do Governo do Estado de Minas Gerais, nos termos do art. 1º do Decreto 6044/2007, que tem por finalidade estabelecer princípios e diretrizes de proteção e assistência à
pessoa física ou jurídica, grupo, instituição, organização ou movimento social que promove, protege e defende Direitos Humanos e, em função dessa atuação, encontra-se em situação de risco ou vulnerabilidade.