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Incêndio atinge comunidade de Caraíbas, em Pedras de Maria da Cruz (MG). Moradores temem ser acusados injustamente

A Comunidade de Caraíbas no norte de Minas, acompanhada pelo Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, ambientalistas e Comunicadores, onde residem e atuam pessoas incluídas nesse modelo de proteção, vem sendo alvo de um incêndio que começou nesta sexta-feira (03) e alcançou quintais e hortas de famílias ribeirinhas. Segundo relatos de moradores, nesta manhã várias pessoas tiveram de deixar suas casas. Hortas, pomares e cercas foram perdidos. Registros mostram imagens do fogo se aproximando das casas.

De acordo com o relato da moradora Luciana Rodrigues dos Santos, o fogo teria se iniciado na quinta (02) por volta das 13h em área externa da comunidade, em uma área usada por carvoeiros e, por isso, inicialmente não teriam acionado o Corpo de Bombeiros. No dia seguinte, por volta do meio-dia, o incêndio se alastrou rumo ao território da Caraíbas. As chamas já chegavam à beira da estrada que dá acesso à comunidade. Frente ao risco, os moradores entraram em contato com os bombeiros de Montes Claros, que orientaram os moradores a procurarem a unidade de Januária. Segundo Luciana, os bombeiros só chegaram à comunidade por volta das 14h.

“Agora é importante investigar, pra saber de onde veio esse fogo, mas o que a gente sabe é que veio de fora da comunidade”, diz Luciana Rodrigues dos Santos, que pede apuração sobre o foco do incêndio, para evitar que a comunidade seja responsabilizada pelo episódio. A preocupação com possíveis acusações é grande entre os moradores, dado o histórico de conflitos na região.

Os moradores relatam que as chamas atravessaram uma área de lagoas hoje secas — consequência da estiagem — e seguiram por trechos de mata até os quintais das casas. Luciana ressalta que as matas estavam “bem verdes” porque não ocorreram incêndios na área há mais de dois anos, o que, para os moradores, torna ainda mais evidente que o fogo teve origem externa.

Ao lado vemos imagens divulgadas por moradores da comunidade onde podemos ver o avanço do fogo e a destruição causada pelo incêndio.

Imagens via satélite mostram os focos de incêndio na área da Comunidade Caraíbas

Imagens via satélite mostram os focos de incêndio na área da Comunidade Caraíbas

Imagens via satélite mostram avanço da fumaça em incêndio na Comunidade Caraíbas

Contexto: território com TAUS e conflitos fundiários
A comunidade de Caraíbas é formada por pescadores artesanais, vazanteiros e quilombolas que ocupam uma área já reconhecida por Termo de Autorização de Uso Sustentável (TAUS). É extenso o histórico de conflitos com fazendeiros da região, incluindo denúncias antigas de cercamentos, incêndios e ataques contra moradores.

Seca e vulnerabilidade: quem depende da terra e do rio sofre mais
Especialistas e relatórios sobre o clima apontam para um cenário de menor disponibilidade hídrica e episódios extremos que vêm se agravando nas últimas décadas. No Norte de Minas há alertas recentes sobre baixa umidade do ar e risco de incêndios florestais, o que eleva a chance de incidentes como o registrado em Caraíbas. As comunidades ribeirinhas e populações tradicionais tendem a ser umas das mais afetadas pelas mudanças climáticas — por dependerem diretamente dos recursos naturais e por sofrerem histórica falta de assistência pública em situações de emergências.