Dia Internacional dos Povos Indígenas: há motivos para comemorar?

Fonte: Ricardo Stuckert

Na semana que se comemora o “DIA INTERNACIONAL DOS POVOS INDÍGENAS”, em 9 de agosto, última segunda-feira, os povos indígenas de todo o Brasil e de Minas Gerais não têm muito o que comemorar. A data, criada pelas Organizações das Nações Unidas (ONU) em 1995, tem como objetivo promover o debate sobre os direitos humanos, diversidade e a inclusão.

O Instituto DH, por meio do Programa de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos (PPDDH-MG) e entidades que compõem a rede parceira acompanham os conflitos de duas etnias indígenas do estado que cotidianamente resistem às situações mais adversas de violações de Direitos Humanos. Se destacam na última década, o acompanhamento das lideranças do povo Xacriabá, em São João das Missões/MG, e da liderança dos Pataxós, da aldeia Geru Tucunã Pataxó.

Depois de mais de dez anos de inclusão no PPDDH-MG, os povos continuam a sofrer ameaças e intimidações mesmo depois da demarcação do território indígena, além de sofrerem com a falta de garantia de direitos básicos, como o acesso à água, educação e serviços de saúde.

No âmbito do PPDDH-MG, várias entidades foram acionadas para realizar o atendimento dos casos que compõem a rede de proteção do programa, tais como: Conselho Indigenista Missionário (CIMI), Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MP-MG), Fundação Nacional do Índio (FUNAI), o Departamento de Atenção Indígena à Saúde Indígena do Ministério da Saúde, entre outros órgãos e entidades públicas para mediação dos conflitos jurídicos e de acesso à direitos básicos.

CASO XACRIABÁS

O caso Xacriabás se destaca nas ações de acompanhamento que envolvem a proteção pelo PPDDH-MG.  Ao todo, nove lideranças indígenas estão incluídas no programa, sendo o Cacique Santo a referência inicial para a inclusão do caso no PPDDH-MG.

O histórico de luta dos Xacriabás ocorre desde a década de 70, quando foram forçados a saírem de seu território depois da retirada forçada por fazendeiros e após vivenciarem diversas situações de violência.

No final da década de 80, o Cacique Rosalino foi morto a mando do fazendeiro Francisco Amaro, caso que foi reconhecido pela justiça como genocídio. Rosalino, por sua vez era o pai do atual Cacique Geral Domingos Nunes, liderança e sobrevivente daquele massacre. Mais recentemente, em 2008, o assassinato dos indígenas Avelino Nunes Macedo e Edson Dourado Leite, também marcaram negativamente aquele ano.

O povo Xacriabá possuiu 37 aldeias e aproximadamente 12 mil indígenas que vivem ao longo de 53 mil hectares demarcados como Terra Indígena nos municípios de São João das Missões/MG e Itacarambi/MG. Constantemente, os recursos naturais das terras Xacriabás são apropriados de forma irregular por proprietários de fazendas que fazem extração irregular e criminosa de madeira e outros produtos, além de ameaças e intimidações vivenciadas pelas lideranças, em especial ao Cacique Santo.

Cozinha Típica Tradicional Xacriabá / Fonte: equipe técnica PPDDH-MG

TERRAS INDÍGENAS E AS VIOLAÇÕES DE DIREITOS HUMANOS

De acordo com o último censo demográfico realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) residem no Brasil 896.917 indígenas, divididos em 305 etnias que falam mais de 270 idiomas.

Segundo o último relatório do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), em 2018, os povos indígenas enfrentaram o aumento da grilagem, do roubo de madeira, garimpo e implementação de loteamentos em seus territórios tradicionais. Tal aumento se deve ao projeto desenvolvimentista da agenda liberal imposta, sobretudo para América Latina, que no Brasil tem como representantes o agronegócio, as empresas extrativistas, megaempreendimentos da mineração e a militarização das forças de segurança pública.

Em 2019, houve um aumento de 134,9% nos casos relacionados às invasões, em comparação com os registrados em 2018 . Fonte: Cimi

Estas instituições, ligadas ao poder público e muitas delas privadas, são os grandes autores de um projeto de dominação política e econômica visando a apagamento da cultura e dos modos de vida das povos originários no Brasil.

Contudo, a demarcação é um direito estabelecido pela Constituição Federal de 1988 e do Estatuto do Índio. No entanto, a última demarcação realizada ocorreu em abril de 2018, no estado do Mato Grosso. Ao assumir o governo, o presidente Jair Bolsonaro, interrompeu 238 processos de demarcação.

Na esteira da discussão sobre o projeto de lei 490 de 2007, que prevê a mudança na legislação da demarcação de terras indígenas em todo o território, lideranças Xacriabás interditaram a BR135, no município de São João das Missões/MG, para protestar contra o PL 490 em apoio às lideranças de diferentes etnias indígenas que foram até Brasília protestar pelo mesmo motivo. Na ocasião, os manifestantes foram reprimidos violentamente por autoridades policiais em frente à Câmara dos Deputados.

Indígenas Xacriabás protestam contra o PL 490/207 na BR135, em São João dos Missões, em Minas Gerais / Foto: acervo Xacriabás
Indígenas Xacriabá protestam contra o PL 490/207 na BR135, em São João dos Missões, em Minas Gerais / Foto: acervo Xacriabás

TRIBUNAL DE HAIA E CRIME DE GENÓCIDIO

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil protocolou, nesta segunda-feira (9/8) – dia em que se comemora o “Dia Internacional dos Povos Indígenas”, um comunicado ao Tribunal Internacional de Haia para denunciar o atual governo do Brasil por genocídio. O pedido visa analisar os crimes praticados pelo presidente contra os povos indígenas desde janeiro de 2019, sobretudo, durante o período de pandemia.

Lideranças, organizações indígenas, documentos oficiais, pesquisas e notas técnicas compõem o comunicado com o intuito de comprovar o planejamento e a execução de uma política anti-indígena.

Por: Assessoria de Comunicação – PPDDH-MG

Diretoria do Instituto DH participa de reunião ampliada do Programa de Proteção dos Defensores de Direitos Humanos de Minas Gerais (PPDDH-MG)

Foi realizada na manhã de segunda-feira (02/08) a reunião ampliada entre a equipe técnica do PPDDH-MG com a diretoria do Instituto DH, entidade responsável pela execução do programa de proteção.

A iniciativa da coordenadora geral do PPDDH/MG, Maria Emília Silva, que também integra a diretoria da entidade, teve como intuito promover o encontro de integração junto com os novos colaboradores para alinhamento institucional com os objetivos do programa.

Na ocasião, participou também o representante da Subsecretaria de Direitos Humanos, gestor do termo de colaboração de execução do PPDDH/MG, o administrador Itamar Melgaço.

Abaixo a relação de todos os participantes e seus respectivas formações e atribuições:

Equipe Técnica PPDDH-MG

  • Ana Maria Santos – assistente social e técnica social do PPDDH/MG;
  • Ana Raquel Âmbar – assistente social e técnica social do PPDDH/MG;
  • Clarice Imbuzeiro – assistente social e técnica social do PPDDH/MG;
  • Daniela Rodrigues – assistente administrativa do PPDDH/MG;
  • Elenir Braga – assistente social e coordenadora adjunta do PPDDH/MG;
  • Lucas Araújo – advogado do PPDDH-MG;
  • Maria Emília – diretora Instituto DH, advogada e coordenadora geral do PPDDH/MG;
  • Gleisiane Pereira – administradora e gestora financeira do PPDDH/MG;
  • Pablo Abranches – jornalista e analista de comunicação do PPDDH/MG;
  • Thays Costa – psicóloga do PPDDH/MG;
  • Ronaldo Costa – apoio administrativo do PPDDH-MG.

Diretoria do Instituto DH:

  • Aline Pacheco – psicóloga e coordenadora do PPCAAM/MG;
  • Isabela Lima – psicóloga e secretária do Instituto DH;
  • Maria Emília – advogada e coordenadora geral do PPDDH/MG;
  • Vanessa Barros – diretora do Instituto DH, psicóloga, prof. aposentada UFMG;

[Comunicado] Comissão do Conselho Nacional dos Direitos Humanos se reúne nesta quinta (29/07)

O Instituto DH participa da 23ª Reunião da Comissão Permanente de Defensores e Defensoras de Direitos Humanos e Enfrentamento da Criminalização dos Movimentos Sociais, nesta quinta-feira (29/07), às 10h.

A Comissão se reúne de forma remota e discutirá sobre a seguinte pauta:

  • Apresentação inicial
  • Violência política contra as parlamentares negras e LGBTQIAP+
  • Plano Nacional de Proteção a Defensoras/es de DH
  • Denúncias
  • Informes

Luta Antimanicomial: Instituto DH participa das ações virtuais do 18 de maio

Primeiro posta das ações virtuais do Insituto DH é um convite a reflexão

Desde o início de maio, o Fórum Mineiro de Saúde Mental (FMSM), entidade que reúne militantes, movimentos sociais, profissionais e usuários dos serviços de saúde mental, promove diversas ações virtuais para comemorar o dia 18 de maio – “Dia Nacional da Luta Antimanicomial”. Tradicionalmente, o dia é comemorado com um grande desfile de carnaval pelas ruas da cidade, mas em função da pandemia de COVID-19 (coronavírus), as ações foram adaptadas.

A programação das atividades “Maio Antimanicomial” prevê o lançamento de vídeos de mobilização e debate sobre a temática, lives com discussões virtuais e o compartilhamento de produções e projeções em prédios. O Instituto DH também participará das ações com publicações diárias no site e redes sociais entre o dia 18 até 22 de maio com frases, vídeos e letras de músicas de militantes, trabalhadores e usuários dos serviços de saúde mental que contribuem para o aperfeiçoamento das políticas de saúde mental no Brasil.

Para a psicóloga e militante do FMSM, Marta Elizabete, “a comemoração virtual é uma forma de dizermos para sociedade que estamos na luta e resistência para que todas as conquistas da Luta Antimanicomial nesses 30 anos não se percam”. Ela ainda acrescenta que a data é para celebrar “uma política pública antimanicomial criativa e baseados em afeto“, destacou a terapeuta.

REFORMA PSIQUIÁTRICA E A LUTA ANTIMANICOMIAL

O “18 de maio” é especial para todos os atores envolvidos na rede de atenção aos serviços de saúde mental, uma vez que ele marca o movimento que levou a reforma do sistema psiquiátrico brasileiro. No fim da década de 70, abusos cometidos em instituições psiquiátricas (manicômios e hospícios), além da precarização das condições de trabalho refletiam a natureza autoritária das políticas de saúde no tratamento de pacientes em sofrimento mental.

Movimento dos Trabalhadores em Saúde Mental (MTSM) integrado, inclusive, por familiares de usuários – motivou a realização de um encontro no dia 18 de maio de 1987 para debates sobre as políticas antimanicomiais. Naquele dia, nascia a proposta pela reforma psiquiátrica do sistema brasileiro, tornando-se o Dia de Luta Antimanicomial.

Do ponto de vista conceitual, o movimento antimanicomial acredita que os portadores de transtornos mentais não representam ameaça ou risco à sociedade. A reforma psiquiátrica teve como objetivo ainda possibilitar que o paciente seja participativo em relação a condução do tratamento mais adequado para ele junto com o acompanhamento da sua família. Nesse sentido, a reforma psiquiatra entende que o paciente passa a ser protagonista na busca pelo seu próprio bem estar.

POLÍTICAS PÚBLICAS DE SAÚDE MENTAL NO BRASIL

A partir da década de 90, o Ministério de Saúde aplicou novas medidas visando substituir os hospitais psiquiátricos por atendimento em hospitais comunitários. Assim, foi instituída a Rede de Atenção à Saúde Mental, em paralelo a construção do Sistema Único de Saúde (SUS). A partir daquele período passou a ser atribuição do Estado promover um tratamento em comunidade e possibilitar a livre circulação dos pacientes e não mais a internação e o isolamento. A Lei Federal 10216/2001 ou Lei Paulo Delgado e pela Lei Estadual 11802/1995, ambas preveem a substituição gradativa de hospitais psiquiátricos por instalações da Rede de Atenção Psicossocial. Todo esse processo está em conformidade com as diretrizes da Convenção Internacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência do qual o Brasil é signatário.

A psicóloga do Programa de Proteção dos Defensores de Direitos Humanos em Minas Gerais (PPDDH) realizado pelo Instituto DH e integrante do Fórum Mineiro de Saúde Mental, Janaína Aretha, esclarece a importância da Luta Antimanicomial na perspectiva dos direitos humanos.” O 18 de maio é uma forma de não esquecer a memória recente dos manicômios, da exclusão, dos muros, do poder nefasto do discurso psiquiátrico, dos cárceres e do controle socialO movimento da reforma psiquiátrica, com sua luta corajosa e tão incansável, conseguiu mudar uma estrutura cruel, estabelecida e necessária ao poder vigente capitalista que aniquilou milhares de vida e singularidades tão vivas. Manicômios nunca mais!”, afirmou a psicóloga.

MAIO ANTIMANICOMIAL

PROGRAMAÇÃO “MAIO ANTIMANICOMIAL”

Além dos vídeos que já foram postados nas redes sociais do FMSM – Facebook e Instagram – a partir desta segunda-feira, 18/05, durante todo o dia, uma série de novas produções serão compartilhadas.

A partir das 13h30, o “Encontro online do 18 de maio” reunirá artistas e outros profissionais para cantar e conversar sobre os desafios da Luta Antimanicomial. Estão previstas projeções antimanicomiais em prédios de Belo Horizonte que todos poderão acompanhar de casa pelas redes sociais do Fórum.

Entre os dias 18 e 22 de maio, as redes sociais do Instituto DH – Facebook Instagram – também serão inundadas de mensagens positivas sobre a Luta Antimanicomial com objetivo de comemorar junto às conquistas, mas também dar visibilidade às atividades. A organização do evento conta com a parceria da Rede Nacional Internúcleos da Luta Antimanicomial (RENILA) e a Associação dos Usuários dos Serviços de Saúde Mental (ASSUSSAM).

Via Assessoria de Comunicação Instituto DH

PPDDH: ação formativa sobre a Política Estadual de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas é realizada em Diamantina

 

Foto: Ricardo Maciel | SES-MG

 

Na última quinta-feira (05/03), integrante da equipe de Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos de Minas Gerais (PPDDH/MG), com o apoio da Diretoria de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas do Estado de Minas Gerais e a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (SEDESE/MG), realizou uma palestra, em Diamantina, como parte de uma ação formativa sobre a Política Estadual de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas.

O evento foi realizado no auditório da Regional de Saúde de Diamantina e contou com a participação de profissionais que atuam na Rede de Atenção Primária à Saúde, nos Centros de Apoio Psicossocial (CAPS), na rede intersetorial e nos hospitais dos municípios da área de abrangência da regional.

Na ocasião, os participantes foram orientados sobre a política antimanicomial baseada nos princípios da reforma psiquiátrica. “Através de um projeto de minha autoria, em conjunto com Coordenação Estadual de Saúde Mental, está sendo possível promover esse diálogo nas regionais de saúde do estado, com foco especial nas comunidades quilombolas, que possuem um modo próprio de viver e de se organizar. Dessa forma, estamos conseguindo desmistificar e aproximar o serviço de saúde mental, como o CAPS AD, dessas comunidades”, relatou a psicóloga Janaína Dornas, que faz parte da equipe técnica do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos de Minas Gerais (PPDDH/MG).

Edna Moreira Reis, referência técnica em saúde mental da Regional de Saúde de Diamantina, destacou a importância do evento. “A presença da Janaína, neste contexto, veio a contribuir para reforçar as diretrizes estabelecidas na política estadual de saúde metal, que prevê que o cuidado deve ocorrer nos serviços públicos de saúde de caráter aberto, comunitário e em liberdade”, destacou

Roda de Conversa em Comunidade Quilombola do Baú

Foto: Instituto DH

Além do encontro realizado em Diamantina, na quarta-feira (04/03), uma roda de conversa foi realizada e reforçou o tema para a população da Comunidade Tradicional Quilombola do Baú, zona rural do município de Araçuaí.

“Para a nossa comunidade foi de suma importância esse momento, especialmente pela aproximação com o serviço de saúde e o amparo que nunca soubemos como buscar. Uma das principais problemáticas na comunidade sempre foi o álcool, a partir desse primeiro contato já criamos expectativa de avanço na qualidade de vida das pessoas, uma vez que o enfrentamento às drogas lícitas e ilícitas é uma das nossas prioridades”, ressaltou Rosanea dos Santos, líder da Comunidade Quilombola do Baú.

Programa de proteção aos defensores de direitos humanos de Minas Gerais

O Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos é executado pelo Instituto DH desde agosto de 2010. Criado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República o Programa iniciou suas atividades em âmbito nacional no ano de 2004. Em Minas Gerais por meio de um convênio hoje firmado com a Secretaria de Estado de Participação Social e Cidadania o Programa atua com o objetivo de proporcionar proteção a pessoa física ou jurídica, grupo, instituição, organização ou movimento social que protege e defende os direitos humanos, e em função de sua atuação nessas atividades, encontrem-se em situação de risco, ameaça ou vulnerabilidade

Por Ricardo Maciel

Fonte: Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais