NOTA DE PESAR E SOLIDARIEDADE

Fonte: Redes Sociais

É com imensa tristeza e profundo pesar que o Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos de Minas Gerais (PPDDH/MG) recebeu a notícia do falecimento da bebê indígena de um mês e 25 dias, pertencente à comunidade Naô Xohã, da etnia Pataxó Hã-hã-hãe e Pataxó, ocorrido na última sexta-feira (5/8) na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte. A dor desta perda irreparável é sentida por todos nós, e expressamos nossa solidariedade à família e à comunidade Naô Xohã neste momento de luto.

É alarmante e inaceitável a denúncia de negligência médica feita pela família, que relata que a bebê foi levada inúmeras vezes à UPA durante a semana, mas retornou para casa sem receber o atendimento adequado em todas as ocasiões, segundo relato dos indígenas.

Repudiamos veementemente este fato e ressaltamos a urgente necessidade de efetivação do direito humano à saúde para todas as comunidades indígenas. É imperativo que as autoridades competentes tomem providências imediatas para investigar as circunstâncias desta morte e assegurar que casos de negligência médica não voltem a ocorrer.

Destacamos, ainda, que o PPDDH/MG, executado pelo Instituto DH – Promoção, Pesquisa e Intervenção em Direitos Humanos e Cidadania, se colocou à disposição das lideranças indígenas atendidas. Este acompanhamento é vital para garantir que os direitos das comunidades indígenas sejam respeitados e protegidos, especialmente em momentos de vulnerabilidade e crise.

Neste momento de dor, prestamos nossa solidariedade à comunidade Naô Xohã e reforçamos nosso compromisso com a luta pela justiça e pela garantia dos direitos dos povos indígenas. Que a memória desta pequena vida seja um lembrete constante da necessidade de respeito, cuidado e justiça para todos.

Em respeito e solidariedade,

Instituto DH – Promoção, Pesquisa e Intervenção em Direitos Humanos e Cidadania

10 de julho de 2024

Propostas para novo Plano de Proteção a Pessoas Defensoras de Direitos Humanos serão discutidas em audiência pública, dia 13 de junho, na ALMG

O Instituto DH: Promoção, Pesquisa e Intervenção em Direitos Humanos e Cidadania, entidade da sociedade civil responsável pela execução do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, Comunicadores e Ambientalistas de Minas Gerais (PPDDH/MG), em parceria com a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) e a rede de proteção do Programa, realizará no dia 13 de junho de 2024, quinta-feira, a partir das 15h, a Audiência Pública: “Proteção em Direitos Humanos em Minas Gerais – levantamento de propostas para o Plano Nacional de Proteção a Pessoas Defensores de Direitos Humanos”

A audiência pública, que tem caráter de consulta pública, possuiu como objetivo ouvir as organizações da sociedade civil, entidades e movimentos sociais ligadas às Políticas de Proteção em Direitos Humanos de MG. Subsidiados pelas lideranças ameaçadas de morte em razão de sua luta, as propostas levantadas serão compiladas e subsidiarão o Grupo de Trabalho Técnico Sales Pimenta, do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania (MDHC), no desenvolvimento do novo Plano Nacional de Proteção a Defensores de Direitos Humanos, Comunicadores e Ambientalistas.

Para a coordenadora geral do PPDDH/MG, Maria Emília da Silva, esta é uma oportunidade única, pois permitirá que todos os envolvidos na execução da política de proteção e o cidadão mineiro contribuam para a construção do Plano Nacional de Proteção aos Defensores. “É o momento de avaliarmos as políticas de proteção e propormos medidas adequadas às realidades das pessoas defensoras de Minas Gerais”, enfatiza Maria Emília.

Desde fevereiro deste ano, o processo de consulta pública para o novo Plano Nacional de Proteção a Defensores de Direitos Humanos está em andamento. Até agora, 52 propostas foram submetidas à Plataforma Participa Mais Brasil, das quais 42 foram selecionadas pelo MDHC por meio do GTT Sales Pimenta. Essas proposições são fundamentais para a análise e diagnóstico da situação atual, fornecendo dados cruciais para a reestruturação das políticas públicas de proteção em direitos humanos.

SOBRE O GT SALES PIMENTA

O Grupo de Trabalho Técnico Sales Pimenta (GTT Sales Pimenta), instituído pelo Decreto nº 11.562, de 13 de junho de 2023, tem como finalidades: (i) a elaboração do Plano Nacional para a Proteção das Pessoas Defensoras de Direitos Humanos, Comunicadores e Ambientalistas; (ii) a elaboração de um anteprojeto de lei para a política nacional de proteção dessas pessoas; e (iii) o diálogo com a sociedade civil, movimentos sociais e demais atores sobre a Política Nacional para a Proteção das Pessoas Defensoras de Direitos Humanos, Comunicadores e Ambientalistas.

CONSULTA PÚBLICA EM MINAS GERAIS

O processo de consulta pública em Minas Gerais está estruturado para que todos os cidadãos do estado possam contribuir para o Plano Nacional. Além da audiência pública presencial, que tem caráter de consulta pública, a ideia é que as entidades da sociedade civil, do poder judiciário, e sobretudo, pessoas defensoras de direitos humanos possam participar enviando suas sugestões via formulário. O documento está organizado em perguntas orientadoras para facilitar a sistematização das proposições e estará disponível on-line até 12 de junho de 2024. Essas contribuições serão sistematizadas pelo Instituto DH e encaminhadas ao GTT Sales Pimenta.

PROGRAMAÇÃO DA AUDIÊNCIA

PROPOSTA DE PROGRAMAÇÃO – AUDIÊNCIA PÚBLICA
HORÁRIOATIVIDADE
15h às 15h30Mesa de Abertura: participação dos parlamentares da ALMG e da presidenta da Comissão de Direitos Humanos, representantes das entidades gestoras das Políticas de Proteção em Minas Gerais, da Defensoria Pública e Ministério Público de MG, da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social de MG (SEDESE) e pessoas defensoras de direitos humanos incluídos no PPDDH/MG.  
15h30 às 17hProposições entidades/defensores(as)
17h às 17h30Considerações Finais + agradecimentos dos integrantes da mesa de abertura

SERVIÇO:

AUDIÊNCIA PÚBLICA: “Proteção em Direitos Humanos em Minas Gerais – levantamento de propostas para o Plano Nacional de Proteção a Pessoas Defensores de Direitos Humanos”

Data: 13 de junho de 2024, quinta-feira

Horário: 15h às 17h30

Endereço: Rua Rodrigues Caldas, 30 – Santo Agostinho –  BH/MG

Link para o formulário de proposições: https://forms.gle/3wyaWrvMpXkdpHtp7

Líder quilombola em perigo: PPDDH/MG aciona rede de proteção em resposta às novas ameaças

Antônio Cosme, liderança da Comunidade Quilombola Baú I Foto Instituto DH

Diante das novas ameaças, a equipe técnica do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos (PPDDH/MG) mobilizou uma extensa rede de proteção, envolvendo parlamentares estaduais e federais, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), a Polícia Militar (PM), entidades judiciárias como o Ministério Público (MP) e a Defensoria Pública (DP), além de outros setores da sociedade civil como forma de assegurar a máxima segurança de Antônio Cosme e de toda a comunidade quilombola.

Em mais um episódio de tensão, Antônio Cosme, líder quilombola e defensor de direitos humanos, do Quilombo Baú, em Araçuaí, recebeu novas ameaças de morte por parte de fazendeiros locais. A situação atingiu um nível crítico com a divulgação, pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) , do Relatório Técnico de Identificação e Delimitação (RTID), um documento crucial para a regularização fundiária do território.

Cosme é incluído no PPDDH/MG desde 2014. Além do Quilombo Baú, o Programa de Proteção atende mais 19 lideranças quilombolas, totalizando 15 comunidades remanescentes de quilombo.

CONFLITO SEM FIM

O Quilombo Baú tem sido palco de uma batalha constante entre os quilombolas e os poderosos fazendeiros da região. Denúncias de violência e tentativas de criminalização das lideranças têm sido frequentes, intensificando-se nos últimos anos. Antônio Cosme, incluído no PPDDH/MG, já havia sido forçado a deixar o território em 2018, enfrentando agora uma nova onda de perigos. Esta batalha não é apenas pelo território, mas pela sobrevivência de um povo e pela preservação de sua história e cultura.

REDE DE PROTEÇÃO

No vídeo a seguir, Neila Batista, Superintendente do INCRA em Minas Gerais, aborda sobre o processo de regularização fundiária das comunidades quilombolas, com foco especial no Quilombo Baú.

Em seguida, Mônica Borges, coordenadora-geral de regularização fundiária de territórios quilombolas do INCRA, detalha as ações implementadas pela autarquia para mitigar os riscos de novas ameaças, especialmente durante a divulgação das etapas do processo de regularização fundiária.

Assista aos depoimentos aqui: https://www.instagram.com/reel/C6MYv0WuaxM/?igsh=MWJlbGhjNjByb3JqdA==

Nota de Pesar

É com profundo pesar que lamentamos informar o falecimento do estimado Cacique Merong Kamakã – Wallace Santos Souza – que pertencia a etnia Kamakã Mongólio, que compõem o povo Pataxó Hã-Hã-Hãe. Sua partida deixa um imensurável vazio não apenas nas comunidades indígenas, mas também em todos aqueles que tiveram a oportunidade de atuar ao seu lado pelos direitos dos povos originários.

Merong Kamakã foi uma figura emblemática na luta pela preservação dos direitos e da cultura dos povos indígenas, especialmente na batalha pela retomada do território ancestral em Brumadinho, Minas Gerais. Sua liderança foi fundamental para unir e fortalecer a comunidade na defesa de seus direitos, enfrentando os desafios impostos pela falta de reconhecimento e apoio às suas demandas.

O Instituto DH acompanha a situação dos indígenas na região, cientes dos obstáculos enfrentados e da grande importância do trabalho liderado por pessoas como o Cacique Merong Kamakã.

Sua dedicação incansável, sua coragem e sua determinação servem como inspiração para todos nós, e seu legado perdurará como um farol de esperança na luta pela justiça social e pela defesa dos direitos humanos.

Neste momento de profunda tristeza, expressamos nossas sinceras condolências à família, amigos e à comunidade indígena. Que encontrem conforto na lembrança do legado deixado por Merong Kamakã e na certeza de que sua voz continuará a ecoar na busca por um mundo mais justo.

Atenciosamente,

Instituto DH – Promoção, Pesquisa e Intervenção em Direitos Humanos e Cidadania

Programa de Proteção, parlamentares e a representante da defensoria pública reúnem-se com lideranças indígenas após mobilização por direitos

Reunião na Aldeia Kamaká, em Esmeraldas, 10 de janeiro de 2024 – Foto: Instituto DH

Nesta quarta-feira, 10 de janeiro de 2024, foi realizada reunião na Aldeia Kamakã, em Esmeraldas, visando abordar o impasse decorrente da ocupação da Fundação Educacional Caio Martins (FUCAM) por indígenas na semana passada. A iniciativa do encontro partiu do Programa de Proteção aos Direitos Humanos de Minas Gerais (PPDDH/MG), em colaboração com a Cacique Marinalva de Jesus, defensora incluída no PPDDH/MG. Participaram das discussões membros da equipe técnica do PPDDH/MG, representantes das assessorias das deputadas Andreia de Jesus (PT) e Bella Gonçalves (PSOL), assim como da deputada federal Célia Xakriabá (PSOL). Além disso, a Dra. Ana Cláudia Alexandre, representante da Defensoria Pública de Minas Gerais e integrante do Conselho Deliberativo do PPDDH/MG, também esteve presente na reunião.

A FUCAM, atualmente ocupada por 57 famílias indígenas que compartilham quartos nas casas da fundação, enfrentou dificuldades devido às chuvas do final do ano, levando à ocupação de outros imóveis em boas condições. Segundo relato da defensora, foi destacada a presença policial, assim como da imprensa, no território. Durante a mobilização, declarações racistas e ameaçadoras foram proferidas por parte de um indivíduo cuja identidade não foi confirmada. Além disso, houve a denúncia de indivíduos de outros estados apoiando o movimento da FUCAM, lançando bombas no território.

Durante a reunião, os representantes da comunidade indígena apresentaram suas demandas, destacando a necessidade de pacificação do território e gestão conjunta do imóvel público. Realizaram ainda uma visita técnica nas casas ocupadas pelas famílias e solicitaram o retorno da Mesa de Diálogo, que teve a última reunião em 2018.

O encontro serviu como um importante espaço para o diálogo e entendimento das questões trazidas pela comunidade, com o objetivo de encontrar soluções que promovam a paz, o respeito aos direitos humanos e o atendimento às necessidades legítimas dos indígenas na FUCAM. As autoridades e organizações presentes firmaram o compromisso em trabalhar em conjunto para que futuras ações sejam realizadas pela busca de uma resolução justa e que efetive os direitos dos indígenas que residem no território.

Encontro Nacional do PPDDH fortalece o compromisso com a proteção aos defensores de direitos humanos

Foto: Instituto DH

O Encontro Nacional do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, Comunicadores e Ambientalistas, realizado em Brasília (DF) entre os dias 27 de novembro e 01 de dezembro de 2023, reuniu cerca de 200 participantes de 26 estados e do capital federal para expressar politicamente às autoridades públicas a urgência com as políticas de proteção, além de marcar o compromisso das defensoras e defensores de direitos humanos e profissionais que compõem as equipes técnicas do PPDDH como agentes fundamentais para a promoção e defesa dos direitos humanos no país.

O evento visava, ainda, elencar propostas de aprimoramento do PPDDH a fim de apresentá-las às entidades do Grupo Técnico de Trabalho Sales Pimenta e outras autoridades pertinentes. O GT, de caráter técnico consultivo e propositivo, é composto por representantes de órgãos do governo federal e da sociedade civil.

Ministro Silvio Almeida, representantes de ministérios e defensores(as) de Direitos Humanos I Foto: Alan Pones

O Ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania, Silvio Almeida, marcou presença na mesa de abertura, destacando a importância do Programa de Proteção e sublinhando os esforços de aprimoramento liderados pelo Ministério. Durante seu discurso, Almeida enfatizou o compromisso inabalável do governo em fortalecer os programas de proteção, reconhecendo a necessidade crucial da participação da sociedade civil nesse processo.

Ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania, Silvio Almeida I Foto: Alan Pones

Silvio Almeida salientou que o fortalecimento do Programa de Proteção depende de três aspectos fundamentais: a colaboração estratégica entre diferentes esferas do governo, a transformação da política de proteção em um programa de Estado e não apenas de governo, e a participação ativa da sociedade. Ele destacou, ainda, que além de aprimorar os programas de proteção, é essencial realizar mudanças estruturais profundas no país para verdadeiramente assegurar a defesa dos direitos humanos.

Equipe técnica do PPDDH/MG e defensora junto com o coordenador geral, Igo Martini, e a secretária nacional de promoção e defesa dos direitos humanos, Isadora Brandão I Foto: Instituto DH

Durante o encontro, o ministro apresentou o novo coordenador geral do Programa, Igo Martini, e contou com a participação de representantes de diversos ministérios e entidades ligadas à defesa dos direitos humanos. Paralelamente ao evento, Martini teve breves reuniões com as equipes técnicas e os defensores(as) convidados(as) de cada estado para se apresentar e compreender a configuração das equipes em cada estado, bem como as necessidades de proteção dos(as) defensores(as).

A programação do encontro contou com painéis de discussão visando levantar propostas para a formulação do Plano Nacional de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos que será encaminhado para o ministro Silvio Almeida e representantes do GT Sales Pimenta.

Nesse sentido, por questões políticas e institucionais, o encontro propôs os seguintes eixos temáticos nos quais foram debatidos em painéis e em grupos de trabalho:

  • História e eixos orientadores estratégicos para a política de proteção no Brasil: revisão histórica da criação da política de proteção e a atuação do PPDDH desde a sua implementação.
  • Proteção coletiva: debate importante e necessário sobre a inclusão de territórios, grupos e coletivos que lutam por direitos humanos e a mudança de metodologia do PPDDH no atendimento a estes casos.
  • Orçamento e gestão financeira: discussão sobre a ampliação dos recursos financeiros previstos no orçamento para o PPDDH, bem como o aumento das equipes técnicas condizentes com a demanda nos estados.
  • Comunicação e diretrizes de visibilidade: necessidade de construir e aprimorar as estratégias de visibilidade como medida protetiva e a inserção do profissional de comunicação em todas as equipes técnicas.
  • Proteção no contexto urbano: em razão das mudanças do contexto das ameaças em meio urbano, o debate visa estabelecer estratégias para a proteção em meio urbano no âmbito do PPDDH.
  • Segurança Pública: sendo os agentes da política de segurança púbica os principais atores da proteção, a discussão teve como objetivo levantar propostas para garantir a efetiva ação em rede para a proteção dos defensores(as) de direitos humanos.
  • Visibilidade e afirmação das lutas das mulheres defensoras de direitos humanos: em homenagem ao Dia Internacional dos Direitos Humanos (29/11), defensoras de diversos segmentos da luta, em ato simbólico, relatam suas experiências em seus estados na defesa dos seus territórios e direitos humanos.
  • Perspectivas para o Plano Nacional de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos e incidência das redes de proteção: experiências de movimentos sociais e programas de proteção que podem agregar na construção do Plano Nacional e as propostas para o GT Sales Pimenta.

No encerramento do evento na sexta-feira (01/12), a leitura em plenária da CARTA-COMPROMISSO, elaborada ao longo do encontro, destacou como encaminhamentos as propostas resultantes das discussões nos grupos de trabalho durante os cinco dias. A carta sublinha a relevância do PPDDH como a única medida pública disponível para os(as) defensores(as) ameaçados(as) no Brasil, salientando a carência de uma legislação que assegure consistência e segurança jurídica, limitando respostas eficazes às questões estruturais subjacentes às ameaças. Além disso, evidencia problemas de gestão, com interrupções decorrentes da falta de planejamento nas renovações dos termos de colaboração, gerando descontinuidade nas atividades de proteção.

DEFENSORAS DE MINAS GERAIS

Defensoras do PPPDH/MG, Ana Carla de Carvalho e Damires Rinarlly I Foto: Instituto DH

Defensoras de destaque em Minas Gerais, Ana Carla de Carvalho Cota e Damires Rinarlly, marcaram presença no encontro com papéis singulares. Ana Carla destaca-se como defensora em meio às tragédias da mineração, engajada na proteção dos(as) impactados(as) e do território afetado por grandes empreendimentos. Enquanto isso, Damires, atuando como parlamentar em Conselheiro Lafaiete/MG, enfrenta violência política de gênero por ser a única mulher na Câmara de Vereadores do seu município, defendendo pautas vitais como os direitos das pessoas LGBTQIA+ e os direitos das mulheres.

Ana Carla enriqueceu o painel “Defensoras de Direitos Humanos” na quarta-feira (29/11), compartilhando sua experiência na defesa do território afetado pela mineração. Por outro lado, Damires participou do GT Segurança Pública, apresentando uma série de propostas voltadas para o aprimoramento da relação com os agentes da segurança pública, visando a proteção efetiva dos defensores de direitos humanos.

Texto: P.A com colaboração MDHC

Acampamento Arco-íris: documentário aborda a luta pela reforma agrária de assentamento, em Minas Gerais

O Instituto DH – Promoção, Pesquisa e Intervenção em Direitos Humanos e Cidadania, entidade gestora do Programa de Proteção os(às) defensores(as) de Direitos Humanos de Minas Gerais (PPDDH/MG) lançam, nesta quarta-feira (23/08), o documentário “Acampamento Arco-íris”.

A produção é fruto do acompanhamento do PPDDH/MG, que mergulha na realidade dos(as) trabalhadores(as) rurais no assentamento Arco-íris, em Gurinhatã, Minas Gerais, incluídos no PPDDH/MG.

Gravado em 28 de fevereiro de 2022, data marcada para a reintegração de posse da terra, captura os apelos dos acampados para a resolução do conflito agrário e os relatos de como é viver sob ameaças de jagunços e os riscos que enfrentam por morarem às margens de uma rodovia estadual, fatos que culminaram na inclusão no PPDDH/MG.

Estão ainda na produção, relatos dos(as) profissionais envolvidos(as) no acompanhamento do caso Arco-íris no âmbito do poder judiciário, representante de movimentos sociais que lutam pelo direito à terra e moradia. Além disso, a equipe do PPDDH/MG compartilha suas perspectivas, destacando a importância de proteger aqueles que se dedicam a causas tão fundamentais e destacam as medidas protetivas realizadas para cessar às ameaças aos(às) defensores(as) do Acampamento Arco-íris, em articulação com as entidades do Conselho Deliberativo do PPDDH/MG, bem como outras entidades da rede de proteção.

Coordenadores(as) fazem reunião no Acampamento para receber equipe técnica do PPDDH/MG Foto: Instituto DH/PPDDH/MG

A proposta de registrar em audiovisual o caso Arco-íris visa dar visibilidade a problemática que envolve a luta por direitos humanos no que tange ao direito à terra e moradia, por meio do exemplo de resiliência dos(as) trabalhadores(as) rurais do acompanhamento Arco-íris. Os(as) trabalhadores estão há 13 anos em busca de respostas das autoridades para efetivar direitos sociais previstos em lei.

Defensores falamos sobre as alternativas para o assentamento definitivo para as famílias. Foto: Instituto DH/PPDDH/MG

O jornalista e integrante da equipe técnica do PPDDH/MG, Pablo Abranches, relata que produzir o documentário foi uma missão desafiadora por vários motivos, mas que valeu a pena contribuir para o registro histórico desse movimento.

“Produzir esse documentário foi extremamente desafiador porque tive que gravar tudo que o podia num contexto ainda muito inicial de entendimento sobre o papel da comunicação no Programa de Proteção e, ainda, lidar com as limitações técnicas daquele momento. No entanto, o resultado me deixou surpreso e espero que o produto seja um instrumento de denúncia das desigualdades presentes na sociedade e um chamado para uma política de reforma agrária mais justa e abrangente”, destacou o comunicador.

O documentário pode ser assistido no canal do PPDDH/MG no youtube:

Documentário “Acampamento Arco-íris” / Produção: Instituto DH/PPDDH/MG

Veja fotos de bastidores do Acampamento Arco-íris do dia da gravação no Instagram do PPPDH/MG: @ppddhmg

SOBRE A HISTÓRIA DO ACAMPAMENTO ARCO-ÍRIS

O Acampamento Arco-íris é composto por um grupo de trabalhadores(as) rurais sem terra e sem moradia que compõem o Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL). Eles(as) vivem assentados(as) às margens da rodovia MG-461- Km 6 e 8, na região de Gurinhatã, no Triângulo Mineiro/MG.

Ao todo, ao longo de 13 anos, mais de 60 famílias já viveram assentadas no acampamento. Segundo relatos dos(as) trabalhadores(as), as lideranças e moradores(as) do Acampamento Arco-íris, vivem em situação de risco, tendo que vista que jagunços e demais funcionários da Fazenda Córrego da Jacuba/Arco-íris vivem circulando os arredores do acampamento armados, além de terem realizado uma série de ações intimidatórias desde 2019.

A propriedade pertence a FLE Empreendimentos Ltda., de Belo Horizonte e já foi vistoriada pelo INCRA e classificada como improdutiva, sendo declarada como de interesse social, para fins de reforma agrária, por meio do decreto n.º 9.431, de 28 de junho de 2018.

Em julho de 2019, o juiz da 2ª Vara Cível de Ituiutaba, Minas Gerais, decidiu pela suspensão do despejo das famílias dos(as) trabalhadores(as) rurais sem-terra, pertencentes ao acampamento. A decisão foi válida até julho de 2020, mas com a pandemia da Covid-19, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) recomendou a suspensão do cumprimento de despejos, além de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) por meio de ação cautelar, com efeito vinculante a todos os órgãos da administração pública, que também determinou a suspensão de todas as remoções forçadas de ocupações coletivas urbanas e rurais consolidadas antes de março de 2022.

Entrada do Acampamento Arco-íris às margens da rodovia estadual, em Gurinhatã, Minas Gerais Foto: Instituto DH/PPDDH/MG

Desde então, os(as) trabalhadores(as) rurais residentes no Acampamento Arco-íris, na faixa de domínio – extensão de segurança entre a rodovia e a propriedade rural – vivem acuados com medo de serem despejados do local. A notícia de que o Departamento de Edificações e Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER/MG), autorizou, em 2022, a reintegração de posse, surpreendeu a todos(as), tendo em vista que somente a justiça poderia autorizar a reintegração de posse.

Desde julho de 2018, as ações de intimidação contra o acampamento ganharam mais visibilidade, uma vez que o apoio de entidades e o PPDDH/MG acompanham a luta dos(as) trabalhadores(as) do acampamento Arco-íris. Neste período foram registradas quase uma dezena de ataques na tentativa de expulsá-los da faixa de domínio da rodovia do DER/MG, que foram registrados em Boletins de Ocorrência realizados juntos à Polícia Militar de Minas Gerais.

Abaixo a cronologia dos acontecimentos:

DEZEMBRO/2020: inclusão de três lideranças no Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos (PPDDH/MG) ameaçados de morte.

MARÇO, ABRIL E MAIO/2021: acionamento da Polícia Militar (PM) por crime ambiental e desmatamento na fazenda.

JULHO/2021: acionamento da PM por incêndio criminoso no acampamento Arco-íris.

AGOSTO/2021: danificação das moradias de madeiras, das lonas e invasão do acampamento por jagunços.

SETEMBRO/2021: invasão de tratorista da fazenda em área delimitada pela justiça para o acampamento, o que culminou na demolição de barracos, estruturas de condução de água: canos, mangueiras e uma caixa d’água. Também no mesmo mês, o acampamento Arco-Íris foi alvo de incêndio criminoso. Os acampados também denunciaram o uso de drone que sobrevoa a região constantemente.

NOVEMBRO/ 2021: pulverização com pesticidas agrícolas próximo às moradias do acampamento, causando intoxicação grave de duas pessoas e reações alérgicas em muitas pessoas acampadas em decorrência do envenenamento.

Com base nesses acontecimentos, o PPDDH/MG acompanha as demandas que atravessam a vida das famílias – que defendem os direitos humanos através da luta pelo acesso e permanência na terra, mas que lutam essencialmente por sobrevivência, pois também estão submetidos aos efeitos das violações aos direitos humanos provocados pela ausência de políticas públicas de reforma agrária.

Nesta perspectiva, o acampamento Arco-íris, às margens da rodovia MG-461, tem esperado, não passivamente, uma ação definitiva das instituições públicas para uma destinação de suas famílias a uma política pública de moradia e reforma agrária que ofereça dignidade a elas e promova os direitos fundamentais.

Desse modo, tendo em vista que o prazo homologado pelo Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (CEJUSC), no qual determina o reassentamento definitivo (28 de fevereiro de 2022), o clima na região continuou tenso, já que os assentados tinham o interesse de ocupar a propriedade, o que acirraria o conflito entre o proprietário da Fazenda Jacuba/Arco-íris e os(as) trabalhadores(as) rurais que não viam mais alternativas de solução.

Nesse contexto, desde o período anterior à gravação do documentário em 28/02/2022 e mesmo após o registro, a equipe do PPDDH/MG acompanha de perto o acampamento, explorando as soluções legais disponíveis para a resolução do conflito agrário, com um foco dedicado à proteção dos direitos humanos dos assentados.

Nota de Repúdio contra às ações difamatórias e mentirosas divulgadas sobre os indígenas Xakriabá

O Instituto DH – Promoção, Pesquisa e Intervenção em Direitos Humanos e Cidadania, entidade gestora do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos (PPDDH/MG) vem a público manifestar nosso veemente repúdio às ações difamatórias e mentirosas que têm sido disseminadas por grupos de extrema direita sobre os modos de vida do povo indígena Xakriabá nas redes sociais e internet, especialmente, no contexto das eleições presidenciais de 2022.

Tais ações, arquitetadas com o propósito de deslegitimar a atuação dos indígenas na busca pela preservação de seus territórios, não apenas distorcem a realidade da rica e ancestral cultura Xakriabá, mas também atentam contra a dignidade e os direitos humanos dessas comunidades.

É lamentável observar que grupos ligados a partidos políticos tenham se utilizado de ações sociais para, posteriormente, disseminar falsidades sobre a organização e os modos de vida do povo Xakriabá. A difusão dessas mentiras visa minar a luta legítima dos povos indígenas, especialmente dos Xakriabá, pelo reconhecimento de seus direitos à terra e à preservação de sua identidade cultural.

Repudiamos veementemente tais práticas e reafirmamos nosso compromisso com a defesa dos direitos humanos, da diversidade cultural e da preservação dos territórios indígenas.

Como encaminhamento, o PPDDH/MG oficiará as autoridades competentes a investigar e responsabilizar os autores e propagadores dessas calúnias, garantindo o respeito à Constituição brasileira, que reconhece os direitos fundamentais dos povos originários.

Reforçamos nosso apoio aos indígenas Xakriabá e a todos os povos indígenas do Brasil, em sua luta pela preservação de suas tradições, cultura e territórios, e nos colocamos ao lado deles nesse enfrentamento às falsas informações.

No vídeo, o Cacique Domingos Nunes, acompanhado do Cacique João Batista e Agenor da Conceição relata sobre os ataques difamatórios.