Pular para o conteúdo

[Denúncia] Lideranças da Comunidade Tradicional Geraizeira do Norte de Minas Gerais denunciam ameaças de morte

Comunidade Tradicional Geraizeira do Lamarão /Fonte: arquivo pessoal Nenzão

As ações de degradação do meio ambiente continuam a deixar marcas trágicas à cultura e a história de Minas Gerais. Lideranças do Povo e Comunidade Tradicional Geraizeira do Vale das Cancelas, em Grão Mogol, Norte de MG, denunciam ameaças de morte por parte de funcionários de empresa de mineração e de jagunços contratados por grileiros e donos de terra da região.

Adair Pereira (Nenzão) e sua esposa, a professora Marlene Souza (Marlene Geraizeira), passaram a integrar o Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos de Minas Gerais (PPDDH-MG) por serem vozes atuantes na defesa do território Geraizeiro e seus costumes e modo de vida.

O conflito tem início a partir do interesse de corporações empresariais que exploram há décadas comercialmente aquele território. A gigante chinesa da mineração – Sul Americana de Metais (SAM) – e de extração de madeira de eucalipto –  Florestaminas – são as duas grandes responsáveis por promover ataques deliberados as regiões ambientalmente preservadas e de importância cultural.

INTERESSES ENVOLVIDOS:

A questão da demarcação é um problema que se arrasta desde a década de 80. A Florestaminas explora ilegalmente as terras que pertencem a comunidade, mesmo depois de decreto do Estado de Minas Gerais, de 2018, que determina que a região é de interesse social. Ainda segundo as famílias, a estratégia é ampliar a área de exploração para dificultar o processo de regularização fundiária do território Geraizeiro e facilitar o pedido de licenças junto aos órgãos ambientais.

A SAM pretende construir o empreendimento chamado de Bloco 8 com capacidade de produzir 27,5 milhões de toneladas de minério de ferro por ano. Estima-se que a quantidade de armazenamento seja de 17 vezes maior que a barragem de Brumadinho. O Bloco 8 fica no município de Grão Mogol e a estrutura do complexo minerário engloba também as cidades de Padre Carvalho,  Fruta de Leite e Josenópolis. Todas elas terão estruturas relacionadas ao projeto.

Outro projeto em andamento é do mineroduto de 480 km que será construído por outra companhia, a Lottus Fortnue Holding, para enviar toda a produção até o Porto Sul, em Ilhéus (BA). Tal ação tem o total repúdio dos Geraizeiros, uma vez que o impacto ambiental envolvido não tem precedentes.

Além das empresas que continuam a degradar e desrespeitar normas ambientais, o conflito também envolve a área da fazenda São Francisco que são consideradas devolutas, isto é, terras públicas sem destinação pelo poder público e sem dono particular, apesar de estarem irregularmente sob a posse de alguém.

PONTOS FORTES E FRAÇOS NESTA DISPUTA

Diante de empresas de forte poder econômico, as denúncias de ameaças de morte recebidas pelo casal Nenzão e Marlene refletem o descaso das autoridades públicas em todos os âmbitos de fiscalização. Policias, sistema judiciário e Governo do Estado de Minas há anos acompanham o acirramento da disputa na região, mas poucas são as ações efetivas para garantir aos moradores o avanço da mineração e exploração de madeira ilegal em territórios tradicionais.

De acordo com Nenzão e Marlene, que abandonaram o território por medo de morrer, raros foram os momentos de apoio de que deveria protegê-los. Eles relatam que as autoridades policiais possuem uma relação de parceria com as empresas e os comerciantes da região apoiam a instalação desses empreendimentos na comunidade em função da suposta prosperidade econômica que poderão trazer à cidade.

Por outro lado, o casal e outras lideranças estão se organizando para formar o Conselho Comunitário Intermunicipal dos Geraizeiros. O objetivo é que a instância seja uma espaço de debate, fiscalização e de orientação das comunidades Geraizeiras para as lutas em defesa do território. A ideia do grupo é atuar em três eixos: defender a comunidade das empresas de monocultura de eucalipto, bem como a grilagem; lutar contra a mineração da SAM e companhias associadas como a Lottus e, ainda, lutar pela regularização fundiária da terra.

A pauta em defesa das comunidades Geraizeiras conta com o apoio de diversas entidades, movimentos sociais e políticos: a Comissão Pastoral da Terra (CPT), Coletivo Margarida Alves, Movimento dos Atingidos por Barragem, a deputada estadual Leninha Silva (PT) e os deputados federais Rogério Correia (PT), Patrus Ananias (PT) e João Carlos Siqueira, o Padre João (PT), além do  Instituto DH, que acompanham a situação e buscam dar visibilidade ao caso.

Protesto da Comunidade pedindo a retirada da SAM do território Geraizeiro /
Fonte: arquivo pessoal Nenzão
Protesto da Comunidade pedindo a retirada da SAM do território Geraizeiro
/Fonte: arquivo pessoal Nenzão

VÍDEO DENÚNCIA:

Há mais de 10 anos, Adair e Marlene atuam na luta pela Comunidade Tradicional Geraizeira. Por isso, o casal tem incomodado as empresas que veem neles um obstáculo para continuar o processo de invasão do território. Desde 2015, eles integram o PPDDH-MG depois das constantes ameaças.

Abaixo, o vídeo denúncia em que os defensores esclarecem mais detalhes relacionados ao histórico dessa luta e a participação deles no processo. O vídeo foi produzido pelo Frei Gilvander, representando a Comissão Pastoral da Terra (CPT) em parceria com a Assessoria de Comunicação do PPDDH-MG, realizado pelo Instituto DH.

O intuito do vídeo é dar visibilidade às denúncias e as violações de direitos humanos que a comunidade tradicional Geraizeira e os defensores da região estão vivenciando. A gravação foi realizada na manhã do dia 20 de julho de 2021.

Vídeo denúncia: Nenzão e Marlene relatam ameaças de morte por defenderem a comunidade Geraizeira

Por: Assessoria de Comunicação PPDDH-MG

[Notícias] Equipe do Instituto DH participa de webnário que debaterá sobre a promoção de políticas públicas de direitos humanos em MG

O Webnário “Direitos Humanos em Pauta” promovido pelo Centro de Referência em Direitos Humanos – CRDH Norte/Caritás contará com a participação da equipe do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos de Minas Gerais (PPDDH-MG). O objetivo do evento é promover diálogos importantes para a promoção de políticas públicas de direitos humanos em Minas Gerais.

A primeira mesa de diálogo contará com a participação do Subsecretário de direitos humanos de MG, Duílio Campos, a professora da UNIMONTES, Leni Maria e o representante de movimentos de direitos humanos, Sr. Braulino Caetano. A segunda mesa de diálogo será destinada a Oficina “Mecanismos e Estratégias de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos”– com a participação da coordenadora geral do PPDDH-MG, Maria Emília da Silva e assistente social, Ana Maria Santos  – e, ainda, a análise da conjuntura ministrada pela professora doutora da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) e do Centro de Estudos e Pesquisas Intercultural e da Temática Indígena (CEPITI), Geovanda Batista.

O evento será realizado nos dias 22 e 23 de julho, de 16h às 19h e transmitido on-line pelo canal do youtube da Caritás Minas Gerais.

As inscrições podem ser realizadas pelo link: Inscrições Webnário Direitos Humanos em Pauta

SERVIÇO:

WEBNÁRIO DIREITOS HUMANOS EM PAUTA

📍 Mesa de Diálogo (22/07/2021) – 16h às 19h

  • Duílio Campos (Subsecretário de Direitos Humanos de Minas Gerais) – Direitos Humanos como política pública em Minas Gerais.
  • Prof.ª Leni Maria (UNIMONTES) – Contextualização da luta por direitos humanos no Norte de Minas.
  • Sr. Braulino Caetano – Luta por direitos humanos enquanto liderança de movimentos e comunidades.

📍 Oficina Mecanismos e Estratégias de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos –  23/07/2021. – 16h às 19h

  • Análise de Conjuntura: Prof.ª Dr.ª Geovanda Batista (UNEB/CEPITI)
  • Oficina: Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos – PPDDH.

[Notícias] Evento debate as conquistas e desafios do Estatuto da Criança e Adolescente (ECA)

Terminou nesta sexta-feira, (16/07), o “Webnário: ECA – 31 anos de conquistas e desafios”  promovido pelo Grupo de Articulação do Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente em comemoração aos 31 anos da instituição do Estatuto da Criança e Adolescente (ECA). O Estatuto orienta as políticas públicas a serem cumpridas e adotadas com a finalidade de garantir os direitos das crianças e adolescentes no Brasil.

As mesas de debates foram realizadas com presença de representantes de diversas entidades e ativistas dos direitos das crianças e adolescentes de Minas Gerais. As discussões foram divididas por temáticas, sendo que a cada dia um tema dentro do contexto do ECA foi debatido.

A assistência social, coordenadora-adjunta do Programa de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos de Minas Gerais (PPDDH-MG) e integrante da FEVCAMMG, Elenir Braga, representou o Instituto DH na mesa que abordou sobre “Legislações e Normas”.

Quem desejar assistir todos os debates é só acessar os links abaixo para acompanhar todos os dias de discussões. O evento foi transmitido pelo canal no youtube da Frente de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes de Minas Gerais (FEVCAMG).

Dia 1 – 12/07: Sistema Socioeducativo – https://youtu.be/rCNyxc0QtdM

Dia 2 – 13/07: Políticas Públicas – https://youtu.be/uGAzSTBUdzA

Dia 3 – 14/07: Orçamentos e finanças – https://youtu.be/NdzujHxA7tQ

Dia 4 – 15/07: Apoio a Conselheiros Tutelares e Conselhos de Direitos – https://youtu.be/0ka6mMn1vlo

Dia 5 – 16/07: Legislações e Normas – https://youtu.be/xEw2ExZ4dsc

[Notícias]: Instituto DH é convidado a integrar novo projeto de proteção de defensores e defensoras de Direitos Humanos

A diretoria do Instituto DH e o representante do Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH), Paulo Carbonari, se reuniram ontem (15/07), quinta-feira, para apresentar e convidar a entidade para a construção coletiva do projeto “Sementes de Proteção de Defensores e Defensoras de Direitos Humanos”.  O objetivo da ação é fazer frente aos ataques, retrocessos e violações dos direitos humanos intensificados nos últimos anos visando organizar forças e construir coletivamente estratégias para proteção popular dos defensores/as que são engajados na luta pelos direitos humanos.

O ato de lançamento do projeto será realizado virtualmente, no dia 04 de agosto de 2021, às 15h. O evento será transmitido pelas redes sociais das organizações e movimentos participantes do projeto e será divulgado próximo a data.

ENTIDADES APOIADORAS

O projeto Sementes de Proteção de Defensores e Defensoras de Direitos Humanos” é desenvolvido pela Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH) e uma série de entidades parceiras: Movimento Nacional de Diretos Humanos (MNDH), Associação Brasileira de Organizações Não-Governamentais (Abong), We World GVC Onlus, com participação associada da Comissão Pastoral da Terra (CPT), da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos (ABGLT), Articulação para o Monitoramento dos Direitos Humanos (AMDH) e Conselho Indigenista Missionário (CIMI). A ação conta com o cofinanciamento da União Europeia.

Logomarca do projeto
Registro da reunião com diretoria do Instituto DH e Paulo Carbonari

Comunidade Quilombola de Croatá, em Januária/MG, passa a integrar o Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos

Em razão das situações de violência e invasão do território por grileiros, a comunidade Quilombola, Pesqueira e Vazanteira de Croatá, localizada na zona rural do município de Januária, em Minas Gerais (MG), passa a integrar o Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos (PPDDH-MG) a partir deste mês de julho de 2021. A decisão foi aprovada em reunião ordinária do Conselho Deliberativo do programa (CONDEL) composto por várias instituições da sociedade civil, dos sistemas de justiça e segurança pública e presidido pela diretoria de promoção da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social de Minas Gerais (SEDESE-MG).

A comunidade conta com cerca de 30 famílias que preservam seus costumes e tradições. Segundo relatos das lideranças, nesses últimos meses os grileiros estão em ataque deliberado ao território. Áreas preservadas estão sendo derrubadas para o comércio ilegal de madeira, além do uso da terra para criado de gado e formação de pasto às margens do Rio Ipueira até o Rio São Francisco, afetando ambientalmente áreas de rios, lagos e nascentes, e a subsistência dos quilombolas.

Dentre as medidas adotadas, além da inclusão ao Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos (PPDDH-MG), para a proteção às lideranças e ações de comunicação para dar visibilidade às denúncias, as entidades que apoiam a comunidade entraram também com representação do caso no Ministério Público Federal (MPF). A Comissão Pastoral da Terra (CPT), o Centro de Referência em Direitos Humanos (CRDH), o Conselho Pastoral dos Pescadores e a NISSA/UNIMONTES também acompanham o conflito.

Comunidade se reúne para debater a situação | foto/reprodução: ass. dep.est. Leninha (PT)

Por Assessoria Comunicação – Equipe PPDDH/MG

Instituições sociais, UFOP e comunidade de Antônio Pereira, distrito de Ouro Preto/MG, debatem os impactos da mineração no meio ambiente

Representantes da comunidade de Antônio Pereira, além de instituições da sociedade civil e professores da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), em Minas Gerais, debatem nesta terça (06/07) e quarta (07/07), a partir das 19h, sobre “Mineração, Água e Meio Ambiente, na live Água, riqueza e conflitos em territórios minerados”. O evento será transmitido pelo facebook da Frente Mineira de Luta das Atingidas e dos Atingidos de Antônio Pereira (FLAMa) – MG.

Participam do debate a engenheira geóloga e membro da FLAMa e da Comissão dos Atingidos de Antônio Pereira, Ana Carla Cota, junto ao produtor rural e o vice-presidente do Instituto Guaicuy e membro do Projeto Manuelzão, Ronald Carvalho. Para Ana Carla, que vivencia todos os problemas decorrentes da mineração no distrito de Antônio Pereira desde a infância, é importante discutir sobre água, um bem público e indispensável à vida, principalmente no contexto da mineração. “As empresas estão extraindo até o osso. A mineração predatória avança e está secando nossos rios e nascentes”, comentou. Vale ressaltar que Ana Carla Cota também é atendida pelo Programa de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos, executado pelo Instituto DH.

Outros representantes de entidades e outras organizações sociais também participarão da mesa de discussões. O servidor da UFOP, Aguinaldo Conceição, o professor da UFOP e membro do comitê sanitário de defesa popular de Ouro Preto, Mariana e região, Guilherme Lima, o representante da SAAE, Eloi Martins e o diretor do sindicato Metabase Inconfidentes, Bruno César. O tema debatido por eles será “O acesso à água é um direito! As lutas na região foram contra a privatização da água”. A mesa será realizada no dia 7 de julho, às 19h, no facebook da FLAMa – MG.

MINERAÇÃO EM ANTÔNIO PEREIRA, DISTRITO DE OURO PRETO/MG

Toda a problemática em torno da mineração não é de hoje em Antônio Pereira e em toda Ouro Preto. A história do distrito, bem como da Vila Samarco, vem sofrendo impactos recorrentes relativos à mineração. Desde o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, a segurança da barragem do Doutor se tornou um problema complexo para a comunidade que se viu obrigada a se retirar do território.

Em 2020, após embargo do Ministério Público, a Vale iniciou o processo de desativação da estrutura daquela barragem e, no mesmo período, iniciou-se o processo de remoção das famílias do local.  Até o momento, quase 80 famílias já foram retiradas de suas casas, alterando radicalmente suas rotinas e sua relação em comunidade.

SERVIÇO:

LIVE: MINERAÇÃO, ÁGUA E MEIO AMBIENTE

Data: 06 de julho de 2021, terça-feira, às 19h

Transmissão: Facebook da FLAMa-MG (facebook.com/flamamg/)

LIVE: O ACESSO À AGUA É UM DIREITO! As lutas na região inconfidentes contra a privatização da água.

Data: 07 de julho, quarta-feira

Transmissão: Facebook da FLAMa-MG (facebook.com/flamamg/)

Nota do Instituto DH em apoio às lideranças indígenas Xacriabás contra o PL 490/2007 I

Na manhã desta quarta-feira (23/06), lideranças de comunidades indígenas da etnia Xakriabás, do munícipio de São João das Missões, em Minas Gerais, interditaram entre 9h e 16h a BR 135, que passa pela cidade, para protestar contra o projeto de lei 490 de 2007. O PL prevê a mudança na legislação da demarcação de terras indígenas em todo o território nacional.

Além de protestarem contra o PL 490, o objetivo das ações na BR135 teve como intuito também apoiar as ações que estão sendo realizadas por outras lideranças indígenas de diferentes etnias, em Brasília. Ontem (22/06), terça-feira, os manifestantes foram violentamente reprimidos por autoridades policiais na capital federal, em frente à Câmara dos Deputados.

As organizações do movimento indígena e demais movimentos aliados das lutas dos povos originários repudiam e consideram inaceitável a violência usada pelas forças de segurança brasileiras contra os indígenas que protestavam pacificamente em Brasília no dia de ontem contra a possível votação do Projeto de Lei 490/2007.

ENTENDA MAIS O PROJETO DE LEI 490/2007

O PL 490/2007 determina que terras indígenas sejam aquelas que estavam ocupadas pelos povos tradicionais em 5 de outubro de 1988. Isto é, seria necessária a comprovação da posse da terra no dia da promulgação da Constituição Federal. Outro ponto polêmico do projeto de lei refere-se à proibição da ampliação de terras que já foram demarcadas anteriormente e a flexibilização do contato com povos isolados, o que deixaria tais comunidades em vulnerabilidade social e de saúde.

INSTITUTO DH E PROGRAMA DE PROTEÇÃO DOS DEFENSORES DOS DIREITOS HUMANOS

O Instituto DH via Programa de Proteção dos Defensores dos Direitos Humanos atende nove lideranças de comunidades da etnia Xakriabá, no município de São João das Missões, em MG. O objetivo do programa, no âmbito das questões indígenas,  envolve o apoio aos povos tradicionais como forma de garantir a preservação dos costumes e cultura, bem como a melhoria da qualidade de vida nos territórios indígenas.

O Instituto DH e demais organizações da sociedade civil se manifestam de forma contrária ao PL uma vez que a proposta integra a política de desmonte das políticas socioambientais que buscam entregar os territórios indígenas para a expansão de um modelo de desenvolvimento que é ambientalmente predatório e socialmente excludente. Na prática, eles obrigarão os povos indígenas a abrirem mão de seu modo de vida ancestral.

Indigenas Xacriabás protestam contra PL 490/2007
Indígenas Xacriabá protestam contra o PL 490/207 na BR135, em São João dos Missões, em Minas Gerais

Relatório Público realizado em comunidade terapêutica voltada para “tratamento” de adolescentes identifica situação de privação de liberdade, diversas violações de direitos e práticas de tortura física e psicológica

Em 2017, o Conselho Federal de Psicologia (CFP), o Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura (MNPCT),  Ministério Público Federal (MPF), por meio da Procuradoria Federal dos Direitos dos Cidadãos (PFDC) e demais órgãos públicos, organizações da sociedade civil e movimentos sociais inspecionaram 28 comunidades terapêuticas em 11 estados, além do Distrito Federal, identificando diversas irregularidades e violações de direitos, em especial na  comunidade terapêutica “Centro de Recuperação Álcool e Drogas “Desafio Jovem Maanaim” – Projeto Vida Movimento para Recuperação Humana, a qual, há época institucionalizava crianças e adolescentes em condições que desrespeitavam as normativas legais brasileiras que regem a defesa da criança e do adolescente, a citar: o uso de trabalho forçado dos internos, internação de adolescentes e crianças, aplicação de castigos e obrigação da frequência em cultos religiosos. Após esta inspeção nacional, foi instaurado um inquérito civil contra a entidade, tendo como autor o próprio Ministério Público Federal (MPF).

Objetivando o levantamento de informações atualizadas e relevantes para a avaliação do MPF, acerca do objeto de investigação neste procedimento, no dia 02 de outubro do ano corrente, foi realizada nova inspeção durante diligência de instrução na comunidade terapêutica Centro de Recuperação Álcool e Drogas “Desafio Jovem Maanaim”- Projeto Vida Movimento para Recuperação Humana, por representantes do Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura (MNPCT), Frente Mineira Drogas e Direitos Humanos (FMDDH), Conselho Regional de Psicologia (CRP/MG), Instituto DH: pesquisa, promoção e intervenção em direitos humanos e cidadania, Fórum Mineiro de Saúde Mental (FMSM) e Diretoria de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas (DSMAD/SES-MG). Sendo toda a ação acompanhada de forma remota pelo MPF, através do Gabinete do Procurador da PRM/POUSO ALEGRE/MG. 

Ao final da inspeção foi produzido uma Relatório técnico detalhado enviado com caráter emergencial e sigiloso às autoridades competentes do sistema de justiça. Agora é publicado e divulgado um Relatório público com as principais situações de violação de direitos contra adolescentes constatadas, que pode ser acessado aqui.

Dessas situações destacamos as seguintes violações e práticas de tortura ou outros tratamentos cruéis, desumanos e degradantes:

  • Internação arbitrária de adolescentes com indícios de transtorno mental, e comorbidades clínicas;
  • Insegurança alimentar;
  • Risco iminente de contágio por COVID-19;
  • Afronta direta ao ECA ao serem mantidos no mesmo espaço institucional adolescentes e adultos em situação de privação de liberdade devido uso prejudicial de álcool e outras drogas;
  • Submissão de contenção mecânica sem prescrição médica;
  • Administração de medicação à força, nos adolescentes;
  • Violência física e psicológica, praticada por monitores e trabalhadores da comunidade terapêutica contra os adolescentes, em nome de contenção, disciplinamento, e resgate nos casos de fuga.
  • Privação de convivência familiar e falta de privacidade nos contatos telefônicos com familiares;  
  • Punições  e castigos por descumprimento de regras (adolescentes são trancados nos quartos, ficam sem o colchão e são obrigados a dormir no chão, são privados de atividades esportivas, privados de assistir televisão);
  • Imposição de credos e práticas religiosas indicadas pela instituição. As demais religiões não podem ser manifestadas pelos adolescentes;
  • Trabalho obrigatório sem EPIs e manuseio, por parte dos adolescentes internos, de ferramentas de trabalho (machado, vassouras, talheres e arma branca) sem o devido monitoramento;
  • Confirmação de ocorrência de um homicídio dentro da comunidade terapêutica, no dia 7 de agosto de 2020, envolvendo dois adolescentes durante a prática de trabalho forçado com ferramenta perfuro cortante, no chiqueiro da entidade, sem monitoramento ou acompanhamento de profissionais ou adultos;
  • Registros de assédio e abuso sexual entre os próprios adolescentes privados de liberdade, sem o devido acolhimento e profilaxia necessária para o não contágio de ISTs;
  • Indício de assédio e abuso sexual entre adolescentes e adultos no interior da comunidade terapêutica;
  • Vários relatos de “fugas” e “tentativas de fuga”, o que reforça que os adolescentes ficam internados na comunidade terapêutica sem o direito de ir e vir preservado;
  • Indícios de cárcere privado seguido de extorsão.

Fonte: Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura

Curso Introdução ao Compliance e Sustentabilidade empresarial

O curso visa qualificar os alunos sobre noções básicas de Compliance e Sustentabilidade Empresarial, a partir da adequação de legislação e adoção de boas práticas. Serão abordados princípios e objetivos do desenvolvimento sustentável, conformidade e responsabilidade empresarial, impactos socioambientais e relações no ambiente de trabalho – à luz dos direitos humanos.

O curso será realizado nos dias 02 a 05 de novembro, de forma virtual, e serão fornecidos certificados de 08h para os participantes.

As inscrições podem ser realizadas pelo link:

https://forms.gle/AAT6oA3m26eLvVeD7