Pular para o conteúdo

Lideranças de ocupações urbanas e rurais de MG constroem estratégias de proteção popular em oficina formativa

Abertura “Seminário Estadual – Proteção Popular e Direitos Humanos: pelo direito de ocupar, morar e resistir”, no Centro de Referência da Juventudes (CRJ) / Foto: Instituto DH/PPDDH-MG

Lideranças, defensores(as) de direitos humanos e integrantes de movimentos e coletivos sociais que lutam pelo direito à moradia e à terra participaram entre os dias 25 e 27 de agosto de 2022, em Belo Horizonte, do “Seminário Estadual – Proteção Popular e Direitos Humanos: pelo direito de ocupar, morar e resistir”, para construírem coletivamente estratégias de proteção popular diante da conjuntura de apagão das políticas habitacionais e de reforma agrária em Minas Gerais e em todo país.

O evento foi organizado pelo Instituto DH, entidade do terceiro setor responsável pela execução do Programa de Proteção aos(às) Defensores(as) de Direitos Humanos de Minas Gerais (PPDDH-MG) e o Projeto Sementes de Proteção, uma articulação com a Sociedade Maraenhense de Direitos Humanos (SMDH), do Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH), da Associação Brasileira de Organizações Não-Governamentais (Abong) e da We World GVC Onlus.

MESA DE ABERTURA

Integrantes da Mesa de Abertura – Ocupações de Minas Gerais – pelo direito à terra e moradia” – Foto: Instituto DH/PPDDH-MG

A primeira mesa de debate teve como tema “Ocupações de Minas Gerais – pelo direito à terra e moradia” e contou com a participação de defensores(as), além das equipes dos projetos realizadores. Os(as) expositores(as) puderam contextualizar a situação atual das ocupações por todo o estado de Minas Gerais e como se dão as estratégias locais de resistência frente às ameaças e violações de direitos humanos.

O professor e defensor protegido no PPDDH-MG, Jairo dos Santos, propôs aos participantes a construção coletiva de uma análise de conjuntura e ressaltou a importância da convocação dos(as) companheiros(as) do interior do estado para refletir e pensar junto como se dará o relacionamento com os Programas de Proteção a partir da luta por moradia.

Jairo, que é coordenador do Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Sem-Teto de Minas Gerais (MTST-MG), disse que é preciso consolidar e proteger defensores(as) que ainda sofrem violações de direitos humanos. Ele destaca que a luta pelo direito à moradia, o Estado e as comunidades não são as mesmas de anos atrás.

Nossas periferias não são as mesmas, o Estado não é o mesmo e o contexto não é o mesmo. Por isso, precisamos organizar nossa retaguarda de luta por direitos. Qual a realidade do acesso à moradia hoje? A cidade é a mesma de 10 anos atrás? A especulação imobiliária funciona da mesma maneira?”

Ele acrescenta e traça o perfil do sem-teto na atualidade:

“Se trata de uma população excluída, marginalizada, subalternizada por um lastro histórico. A maioria das periferias são compostas por pessoas negras, mães solo, como o reduto dessa estrutura e o DNA das nossas cidades. Vivemos em cidades construídas para produzir sem-teto.”

E traz indagações importantes para compreender a realidade nas periferias e grandes cidades:

O que determina a periferia? O que determina a moradia nos centros urbanos? O que determina a vida do nosso povo nas periferias? O que nos põe em ameaça? A resposta é direta: construtoras, mineradoras e o agronegócio.”

Por fim, Jairo destaca que o Estado opera na lógica da necropolítica, que se faz presente na violação de direitos, como a falta de acesso aos auxílios financeiros, a insegurança alimentar, a falta de escolas e de transporte público de qualidade. Por isso, os movimentos populares se tornam cada vez mais frequentes e se organizam para ter cozinha solidária, creches, hortas comunitárias, entre outras ações de base.

O também defensor protegido pelo PPDDH-MG e representante da Comissão Pastoral da Terra (CPT/MG), Frei Gilvander, ressaltou que a luta por moradia digna é também a luta pela terra. Acrescenta que Minas Gerais é o terceiro estado do Brasil com maior extensão territorial e possui os maiores conflitos urbanos do Brasil, se consolidando enquanto um estado muito conservador, no qual o coronelismo e os latifúndios são mais brutais.

Ainda segundo Gilvander, a partir de dados do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), 22,6% das terras de Minas Gerais são devolutas e estão griladas pelo agronegócio.

“No mínimo 40% das propriedades fundiárias de MG são de documentos falsos e 50% das escrituras são falsificadas. Nos últimos 45 anos de luta pela terra, conquistamos apenas 420 assentamentos de reforma agrária, que assentou apenas 16 mil famílias” e, complementa: “Quanto mais radicalizamos na luta, quanto mais numeroso for o nosso movimento, mais a gente conquista! Quanto mais flexibilizamos, não conseguiremos nem migalhas.”, ressalta Gilvander.

Por fim, foram realizadas as falas institucionais dos projetos realizadores que contou com a representação da coordenadora adjunta do PPDDH-MG, Elenir Braga, e do Projeto Sementes de Proteção, Paulo Carbonari e Guilherme Couto, além da representação feminina das ocupações com a coordenadora da cozinha solidária Ipê Amarelo, Kelly da Cruz, de Contagem/MG.

ATO POLÍTICO PELO DIREITO À MORADIA

Ato Político pelo Direito à Moradia na Praça da Estação / Foto: Instituto DH/PPDDH-MG

Logo na sequência da mesa de abertura, os(as) participantes do evento promoveram um Ato Político na Praça da Estação, região central de Belo Horizonte e cenário de várias manifestações históricas, para reivindicar o direito à moradia digna e a necessidade de criar estratégias de proteção popular para as lideranças que colocam suas vidas em risco por defenderem a população mais vulnerável.

Ato Político pelo Direito à Moradia na Praça da Estação / Foto: Instituto DH/PPDDH-MG

O ato político foi fruto dos debates iniciais em relação à conjuntura das ocupações em Minas Gerais e teve como objetivo dar visibilidade às demandas desses movimentos para a cidade. Os(as) participantes elaboraram cartazes com dizeres de ordem e protesto no que tange às políticas habitacionais, além de cânticos que clamam por justiça social em todos os setores da sociedade. As lideranças também levaram bandeiras de seus movimentos, como o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) e de várias ocupações de Minas Gerais.

Ato Político pelo Direito à Moradia na Praça da Estação / Foto: Instituto DH/PPDDH-MG

SEGUNDO DIA DE ATIVIDADES: VIOLAÇÃO DE DIREITOS

No dia 26 de agosto (sexta), os(as) participantes foram convidados(as) a relatarem as violações de direitos humanos que sofrem no cotidiano de sua atuação por defenderem seu direito à moradia. Várias lideranças e defensores(as) compartilharam as ameaças sofridas em seus territórios e o quão difícil é resistir às investidas de diversos atores – do Estado e do setor privado – que tentam fragilizar e criminalizar a luta.

No que se refere às violações de direitos, as lideranças relataram a violência policial frequente, a atuação do crime organizado e o abandono institucional do Estado que se alastra em diferentes contextos e serviços sociais, além de várias outras, como é possível ler na foto abaixo.

À frente das resoluções de problemas em prol da comunidade, as lideranças de ocupações urbanas e rurais são frequentemente ameaçadas. Diante da exposição a que estão sujeitos, segundo relatos, muitos(as) são obrigados(as) a sair do território para se protegerem. No entanto, o desafio apontado por eles é pensar formas de poder continuar na luta e na sua localidade sem o medo de ser assassinado/a.

Painel Violações e Ameaças aos Defensores(as) de Direitos Humanos / Foto: Instituto DH/PPDDH/MG

Durante a discussão, foi debatido que, como defensores(as) de direitos humanos, dar visibilidade e tornar público o máximo de violações, se torna uma estratégia, como ressaltou o defensor protegido Vanduiz Cabral:

“Quanto mais público fica, mais difícil de ser executado ou violado. Se esconder é pior!”.

Neste momento do seminário, estiveram presentes e contribuíram para o debate o Diretor de Políticas Públicas de Proteção e Reparação dos Direitos Humanos do governo do estado de MG, Daniel Dias e Sarmento, e a vereadora e, atualmente, deputada estadual eleita pelo PSOL, Bella Gonçalves.

MESA: PERSPECTIVAS E ESTRATÉGIAS DE PROTEÇÃO POPULAR AOS DEFENSORES(AS) DE DIREITOS HUMANOS

Apresentação das Cartilhas de Proteção aos(as) Defensores(as) de Direitos Humanos / Foto: Instituto DH/PPDDH-MG

Com o objetivo de ampliar o debate sobre estratégias de proteção e compartilhar experiências relacionadas ao tema, a assistente social e pesquisadora da Justiça Global, Daniele Duarte, foi convidada para conversar com as lideranças. Ela explicou que atualmente estamos imersos num sistema de desmontes e ataques à democracia e às políticas públicas, além de recorrente enfrentamento às violações de direitos humanos. Ela acrescenta que uma das estratégias usadas pela Justiça Global é a realização do mapeamento das organizações que acompanham os(as) defensores(as), e o fortalecimento dos espaços coletivos e das ações em rede.

Danielle Duarte, Justiça Global / Foto: Instituto DH/PPDDH-MG

“Somente a coletividade vai nos dar mais força na atuação diante das violências e ameaças”, ressaltou a pesquisadora.

O cientista social, arquiteto, integrante da Organização da Sociedade Civil (OSC) Arquitetura Sem Fronteiras, Eduardo Gontijo também convidado a falar sobre a sua experiência em Ocupações Urbanas em interface com arquitetura popular, apresentou o que ele chama de urbanização participativa e sua contribuição para o movimento de moradia. Para ele, o momento pós-urbanização exige a implantação de esgoto, energia, saneamento e é neste momento que os moradores devem ser convidados a participar para contribuírem no planejamento do espaço urbano.

Eduardo Gontijo, cientista social e arquiteto

O espaço das ocupações se constrói a partir da ação coletiva comunitária de alto apoio dos moradores que ocupam aquele terreno. Na fase da ocupação, os moradores vão dotando o terreno de infraestrutura à medida do que podem fazer, na base das experimentações e suprindo o que a cidade normal não os oferece – água, luz e esgotamento sanitário – à medida que eles dão conta de fazer com os recursos que possuem, eles constroem essas redes, então quando você chega no momento da urbanização e regularização fundiária, o poder público chega a atuar de uma maneira a desconsiderar todo esse investimento mesmo que tais redes não sejam perfeitas ou construídas com as melhores técnicas possíveis, é uma rede de serviços urbanos que estão ali construídas com os recursos que tinham no momento.

Sobre a participação no processo de regularização da ocupação, Eduardo destaca:

“A adoção das pessoas no momento do planejamento e urbanização para regularização fundiária é fundamental já que elas possuem noção do processo de construir, de urbanizar a partir de uma experiência prática. É fundamentalmente neste processo de demarcação e urbanização que as pessoas devem ser ouvidas, complementa Eduardo.

ESTRATÉGIAS DE PROTEÇÃO POPULAR

Clarice Imbuzeiro, técnica social do PPDDH-MG

Ainda na tarde do dia 26 de agosto (sexta), as lideranças tiveram a oportunidade de traçar estratégias de proteção popular e conhecer conceitos relacionados a proteção integral e autoproteção.

O grupo mediador do encontro sugeriu o estudo de um caso fictício e as lideranças propuseram alternativas e ações de proteção a partir da análise de contexto e conjuntura que fazem parte da luta urbana e rural por acesso à moradia e à terra.  Os grupos identificaram os seguintes pontos:  as ameaças diretas e indiretas, os incidentes de segurança, os agentes envolvidos, além dos pontos fortes e fracos.

A proposta da atividade foi trazer elementos que acontecem no cotidiano para que as lideranças pudessem exercitar o levantamento de estratégias e ações em paralelo com a sua própria atuação nas comunidades e ocupações.

Cartilhas de Proteção Popular, Projeto Sementes de Proteção / Foto: Instituto DH/PPDDH-MG

Na ocasião, foram apresentadas também as duas Cartilhas de Proteção Popular produzida no âmbito do Projeto Sementes de Proteção:

Cartilha 1: “Proteção Popular de defensores e defensores de direitos humanos”

Cartilha 2: Subsídios para análise: desafios à proteção popular de defensores e defensoras de direitos humanos”.

Segundo a organização Global Witness, o Brasil ocupa hoje o quarto lugar no ranking dos países que mais matam defensores e defensoras de direitos humanos, ficando atrás apenas de Colômbia, México e Filipinas. Daí a necessidade de pensar estratégias de autoproteção e fortalecer a luta pela garantia de direitos.

DE VOLTA ÀS COMUNIDADES

Lideranças e defensores(as) de direitos humanos e pelo direito à moradia e a terra / Foto: Instituto DH/PPDDH-MG

No último dia de encontro, 27 de agosto (sábado), a proposta era compreender como retornar às comunidades e multiplicar as discussões no território com outras lideranças e atores envolvidos na luta.

A partir disso, discutiu-se sobre o fortalecimento da ação dos defensores(as) a partir de uma integração em suas regiões, de modo a refletir o papel da luta nas bases, formando multiplicadores e lideranças que muitas vezes estão fora de risco.

Outra estratégia é levar o conhecimento para dentro do território, fazendo diálogos com outras ocupações visando a troca de experiências, bem como a valorização e a construção de cuidado, autocuidado e partilha de saberes.

Por último, avaliou-se a importância de organizar novos encontros regionais para dar continuidade aos debates sobre a conjuntura e estratégias de proteção. A tentativa é efetivar a criação de uma rede permanente de assistência aos defensores(as) com o objetivo de identificar suas especificidades e ameaças vivenciadas.

Veja mais fotos do evento no instagram – @institutodh.org

Lideranças Quilombolas se reúnem com Ministério Público Federal em BH

A reunião contou com a intermediação do Programa de Proteção aos Defensores e o Assessoria Popular Mariana Criola ligado às comunidades quilombolas.
Lideranças quilombolas, equipe técnica PPDDH/MG e defensores públicos em reunião no MPF, em BH

Em articulação com o Programa de Proteção aos(às) Defensores(as) de Direitos Humanos de Minas Gerais (PPDDH/MG) e o Centro de Assessoria Popular Mariana Criola, lideranças quilombolas do Norte de Minas Gerais e do Vale do Jequitinhonha reuniram-se no dia 2 de setembro 2022 (quinta-feira) com procuradores do Ministério Público Federal para buscar coletivamente mecanismos de proteção das terras quilombolas frente às ações de massacre as comunidades tradicionais do cerrado, realizado por grileiros e empresas do agronegócio.

No encontro, foram debatidas diversas questões que envolvem o avanço das empresas do agronegócio nas terras quilombolas em áreas de preservação dos Quilombo Jardim da Prata e Jenipapo de Minas, no norte de Minas, para coibir violações de direitos. Vale destacar que a luta das comunidades quilombolas é pelo reconhecimento da titulação das terras, direito que é garantido pela Constituição Federal de 1988, na qual prevê o direito à propriedade definitiva da terra aos remanescentes de comunidades quilombolas.

Nesse sentido, em função também do contexto de desmonte de instituições, como o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), os processos de regularização das terras têm sido morosos ou até mesmo inviabilizados, levando a um processo de insegurança dos povos e comunidades tradicionais frente às ações das grandes empresas podendo causar conflitos graves no campo.

Como encaminhamento, foi marcada para outubro nova reunião para dar continuidade ao levantamento de medidas de prevenção com o objetivo de mitigar possíveis ações violentas e novas resoluções jurídicas para garantir o direito de posse definitivo às terras quilombolas.

Comitê Brasileiro lança Guia Prático de Proteção à Violência Política para Defensoras e Defensores de Direitos Humanos

Para combater e enfrentar a violência política nas Eleições 2022, o Comitê Brasileiro de Defensoras e Defensores de Direitos Humanos (CBDDH) – rede composta por 45 organizações e movimentos sociais, na qual o Instituto DH também faz parte – lançou nesta terça-feira (06), o Guia Prático: Proteção à Violência Política Para Defensoras e Defensores de Direitos Humanos. Diante do aumento de casos de violência política, especialmente dirigida a DDHs, o Comitê Brasileiro também inaugurou um canal de comunicação para o recebimento de denúncias de violações.

O Guia Prático de Proteção à Violência Política foi construído em conjunto com os DDHs ameaçados, pré-candidatas/os e mandatos parlamentares de 8 estados brasileiros: Pará, Pernambuco, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Brasília, Paraná e Rio Grande do Sul, além de coletivos da sociedade civil. Ao todo, 30 defensoras e defensores de direitos humanos participaram de um curso de proteção realizado pelo Comitê Brasileiro, em Brasília.

A violência política não impacta só a vida e a integridade das defensoras e defensores: muitos deixam de se expressar, se manifestar e participar da vida pública e política por causa dessas violações. Proteger contra esse tipo de violência é garantir diversos direitos humanos, ao mesmo tempo”, afirma Maria Tranjan, representante do Comitê Brasileiro e coordenadora da equipe de Proteção e Participação Democrática da ARTIGO 19.

Dividido em três eixos-chaves, Percepção, Proteção e Responsabilização, o guia traz orientações práticas de como a defensora e o defensor podem fazer uma análise de risco, construir uma estratégia de proteção, tomar medidas de vigilância em atividades, como se proteger juridicamente, também sobre segurança digital e ações de autocuidado e cuidado coletivo.

Ainda nesta segunda-feira (05), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin decidiu suspender o efeito de uma série de decretos e outras normas editadas pelo governo do presidente Jair Bolsonaro que flexibiliza o porte e a posse de armas, além de limitar a compra de munições, citando justamente o risco de “violência política” que aumenta com a campanha eleitoral.

Levantamento feito pela UniRio indica que os casos de violência política cresceram 335% no Brasil nos últimos três anos. Realizado desde 2020, a pesquisa indica que, apenas em 2022 foram registrados 214 casos de violência política. Para modo de comparação, ao longo de todo o ano de 2019 o Observatório registrou 47 casos. Ameaças, discursos de ódio e homicídios são os tipos mais recorrentes de violência contra lideranças políticas.
“Estamos num contexto de disseminação da violência política e diante de uma ausência de espaços institucionais do estado para encaminhamentos das denúncias, que garantam a proteção dessas defensoras e defensores. Os pedidos de proteção têm aumentado consideravelmente para a sociedade civil”, ressalta Alane Luzia da Silva, assessora jurídica popular na Terra de Direitos, representante do CBDDH.

E completa: “Por isso, entendendo que o espaço eleitoral é compreendido por muitos DDHs como lugar de luta pela conquista e efetivação de direitos, o Comitê avaliou como importante lançar um material que pudesse contribuir na construção de estratégias de proteção para esses ddhs. O guia é o resultado da união das expertises de diversas organizações do Comitê na proteção das DDHs”.

Para a representante do Comitê e coordenadora geral da Justiça Global, Sandra Carvalho, o guia também “expressa a preocupação do Comitê Brasileiro com o clima de tensão e medo, às vésperas do feriado nacional do Dia da Independência e que antecede o processo eleitoral no Brasil, com 1º turno marcado para outubro, em uma democracia ainda marcada pelo elitismo de classe, pela misoginia, o racismo, a colonialidade e a lgbtfobia”.

Leia o Guia Prático: https://bit.ly/CBDDHGuiaViolenciaPolitica

Para mais informações: Tatiana Lima
Whatsapp/Signal: (21) 99665-7892 e/ou comunicacacao@comite.org.br

Carta Capital publica reportagem sobre os povos geraizeiros do norte de Minas Gerais

Reportagem destaca a luta dos povos geraizeiros pelo direito de viver em seus territórios tradicionais

Leia a reportagem completa produzida pela jornalista Ana Luisa Basilio no site da Carta Capital.

Reportagem – Carta Capital, 15 de julho de 2022

A equipe técnica do Programa de Proteção aos(as) Defensores(as) de Direitos Humanos (PPDDH-MG) também esteve na ocasião da gravação da reportagem na comitiva de direitos humanos. Chamada de “Missão Geraizeiros”, a ação itinerante pelas comunidades foi liderada pelo Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH), e por instituições que apoiam a causa dos geraizeiros, como a Fian Brasil, Movimentos dos Atingidos pela Barragem (MAB) e Coletivo Margarida Alves.

Adair Pereira da Silva, Nenzão, é defensor incluído no PPDDH-MG em função das ameaças que recebe de pessoas ligadas às empresas de monocultura e mineração pelo fato de ser uma liderança ativa em defesa do território geraizeiro contra as investidas dessas empresas no território.

Assista também o vídeo completo da reportagem no vídeo a seguir:

Medo, angústia e adoecimento: a batalha dos povos geraizeiros contra agricultura e a mineração

Manifesto Público em defesa da continuidade da Suspensão das Ordens de Despejo em Áreas Urbanas e Rurais

Para assinar o manifesto, assine a lista no local indicado abaixo:

Diante do cenário alarmante de ameaças e riscos de despejos das famílias em situação de extrema pobreza e vulnerabilidade social no estado de Minas Gerais e em todo o Brasil, o  Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos de Minas Gerais (PPDDH-MG) e a rede parceira de promoção e proteção aos defensores de direitos humanos, vem a público manifestar grande preocupação e solicitar que providências urgentes e efetivas dos órgãos competentes sejam tomadas para evitar graves violações aos direitos humanos, tendo em vista as  ameaças de despejos e reintegrações de posse após o dia 30 de junho de 2022, estabelecido pelo Ministro do STF Luís Roberto Barroso através da ADPF 828[1].

O direito à moradia faz parte dos direitos assegurados na Constituição Federal de 1988, fruto do período de redemocratização do país, sendo competência da União, dos estados e municípios brasileiros. No entanto, as políticas governamentais, agravadas pelo contexto recente de pandemia, se mostram omissas no que tange a formulação e execução de políticas habitacionais que possibilitem às famílias de baixa renda o acesso pleno à habitação segura e de qualidade. Tal situação coloca uma parcela significativa da população em permanente violação de direitos, um estado de coisas inconstitucionais.

Atravessamos uma conjuntura que demonstra as consequências do aumento da inflação, da fome e do agravamento da pobreza e vulnerabilidade das famílias. Dados divulgados em 8 de junho de 2022 pela Rede Brasileira de Pesquisa e Soberania Alimentar e Nutricional (Rede Penssan), que integra o 2º Inquérito Nacional sobre Segurança Alimentar no Contexto da Pandemia de Covid-19, demonstram que cerca de 33 milhões de pessoas passam fome no Brasil no país e estima-se que mais da metade (58,7%) da população brasileira vive em situação de insegurança alimentar e que a fome regrediu para patamares da década de 90, segundo o estudo.

De acordo com relatório da Fundação João Pinheiro (FPJ), referenciada com a metodologia Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (PNADc), divulgado pelo jornal O Tempo, em julho de 2021, indica que o Estado de Minas Gerais é o segundo do Brasil com maior déficit habitacional. Os dados demonstram que 496 mil núcleos familiares não têm onde morar, o que indica um aumento de 15,8% de 2016 a 2019, quando a PNADc foi lançada.

No território de Minas Gerais, há uma concentração expressiva de conflitos urbanos e rurais nas regiões norte, central e do triângulo mineiro, em que diversas famílias e Comunidades Tradicionais são ameaçadas e criminalizadas em sua luta pela terra e moradia. Diante disso, destacamos nossa preocupação com a integridade, saúde e garantia dos direitos sociais básicos dos(as) defensores(as) de direitos humanos frente à iminência do retorno abrupto dos despejos.

As ocupações urbanas e rurais lutam e resistem pela necessidade básica de moradia há décadas e se constituem enquanto alternativas ao ataque especulativo imobiliário. Assim, a criminalização das ocupações deslegitima o processo que se dá a partir de uma obrigatoriedade da destinação de função social da propriedade. Segundo dados da Campanha Despejo Zero, mais de 500 mil pessoas podem ficar desabrigadas em Minas Gerais, sendo que, nesse momento, é muito importante e prioritário que sejam desempenhadas medidas de proteção para as famílias em vulnerabilidade.

Assim, é dever do Estado articular mais uma vez a prorrogação do prazo da ADPF 828 para a proteção de moradores(as) e lideranças dos movimentos em defesa da moradia e comunidades tradicionais.

Nesse sentido, solicitamos com urgência que a medida seja prorrogada, no mínimo, até 31 de dezembro de 2022, buscando garantir despejo zero e segurança às centenas de famílias em ocupações e territórios tradicionais em disputa.


[1] Em outubro de 2021, a Lei 14.216/2021, aprovada pelo Congresso Nacional, suspendeu ordens de remoção e despejo até 31 de dezembro de 2021, com abrangência aos territórios urbanos. Devido a manutenção da vulnerabilidade das famílias, a rede de proteção atuou acionando o STF, que estendeu a vigência até 31 de março de 2022. Posteriormente, em nova decisão, o ministro Barroso incluiu os efeitos da Lei 14.216/2021 aos territórios rurais e urbanos até a data 30 de junho de 2022.

Para assinar este manifesto, acesse o link: https://forms.gle/rbskbWFYhFK44pe9A

Instituto DH participa do Encontro Nacional – Proteção Popular de Defensores/as de Direitos Humanos

O encontro foi realizado no âmbito do projeto Sementes de Proteção entre os dias 17 e 19 de maio, em Brasília.
Encontro Nacional Proteção Popular de Defensores(as) de Direitos Humanos

A vice-diretora do Instituto DH e coordenadora do Programa de Proteção aos(às) Defensores(as) de Direitos Humanos (PPDDH/MG), Maria Emília, e o articulador e psicólogo, Guilherme Couto, participaram entre os dias 17 e 19 de maio do Encontro Nacional – Proteção Popular de Defensores(as) de Direitos Humanos, em Brasília.

Ato Público em Defesa da Democracia

O evento teve como objetivo dar sequência no aprofundamento dos temas de atuação e fortalecer o engajamento das organizações e participantes na efetivação dos compromissos pactuados para a implementação da Iniciativa de Proteção Popular em seus estados.

Os representantes do Instituto DH participaram de ações formativas e do ato público em Defesa da Democracia: Pela Vida de Defensoras/es de Direitos Humanos, realizado na Praça Três Poderes, na capital federal. Também estiveram presentes dezenas de ativistas e militantes de organizações e movimentos sociais de todo o país que compõe o projeto Sementes de Proteção.

O Projeto Sementes de Proteção é desenvolvido pela SMDH, MNDH, Abong e We World GVC Onlus, com participação associada da CPT, da ABGLT, AMDH e CIMI. O co-financiamento é da União Europeia. Em Minas Gerais, a entidade responsável pela execução do projeto é o Instituto DH.

Veja mais fotos no instagram do Instituto DH: @institutodh

Lideranças defensoras de direitos humanos impactadas pela mineração em MG participam de oficina sobre autoproteção realizada pelo Instituto DH

Foto reprodução: Frontline Defenders

Promovida pela equipe técnica do Programa de Proteção aos(às) Defensores(as) de Direitos Humanos de Minas Gerais (PPDDH/MG), lideranças impactadas pela mineração foram convidadas pelo Instituto DH e Assessorias Técnicas Independentes (ATIs) para participarem de uma oficina sobre autoproteção, realizada nos dias 11 e 18 de maio de 2022 de forma virtual.

A proposta da formação teve como objetivo compartilhar e construir estratégias de autoproteção no contexto de ameaças e violação de direitos humanos que tais lideranças e defensores(as) estão sujeitas por estarem na luta pela preservação ambiental e defesa dos seus territórios.

O aumento das ações de mineração por todo o estado e os rompimentos das barragens de Mariana e Brumadinho estão entre os principais desastres industriais, ambientais e humanitários da história brasileira. As consequências de ambos os casos, além do avanço da mineração em áreas ainda preservadas, preocupam moradores dessas localidades que são intimidadas e ameaçadas pelas empresas e seus interlocutores por defenderem seus direitos de reparação e de cuidado com o meio ambiente.

Nesse sentido, a oficina de autoproteção teve como função também possibilitar que os/as atingidos/as pudessem conhecer e compartilhar suas histórias e vivências em busca de ações de auto fortalecimento dos coletivos que atuam contra os abusos das empresas mineradoras nos territórios. Além disso, durante a formação foram traçadas estratégias de proteção e de circulação no território, tendo em vista as ameaças. A ideia é que o resultado das discussões gere uma cartilha sobre autoproteção para distribuir para outras lideranças.

A demanda pela oficina partiu do Instituto Guaicuy que assessora a região do Bacia do Paraopeba e da Represa de Três Marias, e contou ainda com a parceria da Associação Estadual de Defesa Ambiental e Social (AEDAS) e o Instituto Nenunca de Desenvolvimento Sustentável (INSEA) que também convidaram lideranças dos territórios que atuam.

Segurança digital é tema de formação para a equipe técnica do Instituto DH

Oficina de Segurança de Digital / Foto: Instituto DH/2022

O funcionamento da internet e o uso das centenas de recursos que ela oferece foi tema da Oficina de Segurança Digital realizada na última sexta-feira, 13 de maio, na sede do Instituto DH. A formação foi ministrada por profissionais da Escola de Ativismo, coletivo independente que promove ações em diferentes temáticas para o fortalecimento dos direitos humanos e da democracia. A atividade foi articulada pela equipe técnica do Programa de Proteção aos(às) Defensores(as) de Direitos Humanos (PPDDH/MG) e contou com a participação de colaboradores de outros projetos do Instituto DH.

Oficina de Segurança Digital / Foto: Instituto DH/2022

Em função da necessidade de promover mais segurança às informações dos dados que circulam no cotidiano das ações, uma vez que muitos são de caráter sigiloso, a formação teve como objetivo apresentar os princípios básicos da internet e como se dá os processos de gerenciamento de senhas e e-mails, além de outros aspectos relacionados à segurança em ligações telefônicas e em aplicativos de mensagens.

Depois de dois anos com dezenas de reuniões e oficinas virtuais no ápice da pandemia, o Instituto DH retornou às atividades presenciais sem esquecer dos cuidados necessários para a prática profissional no mundo on-line. Outro fator que culminou na escolha do tema se deve também a invasão de hackers pró-Bolsonaro na “Oficina Estadual Virtual do Projeto Sementes de Proteção: defendendo vidas”, realizada em fevereiro deste ano.

Equipe Instituto DH / Foto: Instituto DH/2022

Xacriabás recebem visita da equipe técnica do PPDDH-MG

Depois de dois anos em pandemia, a equipe técnica do Programa de Proteção aos(às) Defensores(as) de Direitos Humanos (PPDDH-MG) realizou entre os dias 02 e 04 de maio de 2022, a primeira visita de acompanhamento aos defensores indígenas Xacriabás, em São João das Missões, no norte de Minas Gerais, depois do incêndio na Escola Estadual Indígena Xukurank, da Aldeia Barreiro Preto, em junho de 2021.

O encontro teve como objetivo debater as situações de violações de direitos humanos aos indígenas incluídos no PPDDH-MG, bem como realizar o acompanhamento de rotina in loco. A reunião contou com a participação de vários Caciques das Aldeias que pertencem aos Xacriabás e demais defensores incluídos no programa.

Entre as demandas mais urgentes, os indígenas abordaram sobre a necessidade de uma audiência pública com órgãos municipais e estaduais, a ampliação do diálogo com a Fundação Nacional do Índio (FUNAI) e o Ministério Público (MP) de Montes Claros e, ainda, sobre a regularização do “lixão” do município que encontra-se no território indígena, assim como as ameaças de invasão que vem ocorrendo.

Também foi pauta o desgaste da relação com a prefeitura do município de São João das Missões, uma vez que as demandas nunca são atendidas, principalmente, no que refere-se as questões de saúde dos indígenas. Além disso, no que tange à prefeitura de Itacarambi, os indígenas relatam sobre os problemas de abastecimento de água, cada vez mais recorrente. Eles ressaltaram também sobre a importância do acompanhamento próximo do PPDDH-MG, que em função da pandemia, esteve distante neste período. Na ocasião, a equipe reapresentou as diretrizes de atuação do programa e pactuou como atuaremos daqui para a frente.

Por fim, entre os principais encaminhamentos, definiu-se que será realizado estudo para viabilizar a instalação de câmeras de segurança, a realização de ações de visibilidade com o intuito de divulgar as demandas da comunidade e a articulação junto ao PPDDH-MG nos órgãos de justiça e do município para atendimento às reinvindicações e para a realização da audiência pública.

ESCOLA INDÍGENA INCENDIADA

Sala da Escola Indígena incendiada – Foto: PPDDH-MG/Instituto DH

Uma das professoras indígenas, também incluída no PPDDH-MG, relatou sobre a falta de resposta sobre o incêndio à Escola Indígena Xuxurank, na aldeia Barreiro Preto. Infelizmente, o processo foi arquivado porque a Polícia Federal não conseguiu reunir provas de autoria, embora haja fortes indícios de que o incêndio foi criminoso. Em seguida, o Ministério Público Federal (MPF) solicitou o arquivamento do processo no mês passado.

Sala improvisada com tabumes na Escola Estadual Indígena Xukurank, da Aldeia Barreiro Preto – Foto: PPDDH-MG/Instituto DH

Atualmente, as atividades da escola estão sendo realizadas em local improvisado. Toda estrutura está em reforma para readequação do espaço e reparos essenciais. Segundo os indígenas, são necessários mais recursos para acelerar as obras. A instituição atende mais de 100 estudantes indígenas nos três turnos de funcionamento.

REUNIÃO COM SECRETÁRIOS MUNICIPAIS

Reunião com secretários municipais da prefeitura de São João das Missões, equipe PPDDH-MG e representantes indígenas / Foto: PPDDH-MG/Instituto DH

Articulada pela equipe técnica do PPDDH-MG, a reunião com as autoridades de São João das Missões contou com a presença da Secretária de Desenvolvimento Social, Denusa Sousa, o Secretário de Governo, Edvânio Ferreira, e os representantes dos indígenas e Conselheiro de Saúde, Maciel da Silva e Geovane Dourado. A proposta da reunião foi debater sobre os problemas levantados pelos Xacriabás da Aldeia Morro Vermelho na tentativa de dar mais celeridade na resolução das demandas.

Entre as principais demandas trazidas estavam os problemas relacionados a falta de repasse dos recursos da saúde, as estado das estradas, as consequências trazidas pelo “lixão” no território e a política de destinação de cestas básicas.

O QUE DISSERAM AS AUTORIDADES E INDÍGENAS

Secretário de Governo: explicou que o problema do “lixão” é antigo e que o novo projeto vai melhorar a situação, mas pontuou que as providências serão resolvidas a longo prazo e que existe a possibilidade de transferência dos resíduos para o município de Pedras de Maria da Cruz. O secretário afirmou também que realizará um levantamento sobre as questões que envolvem o “lixão” e que agendará uma reunião com os Xacriabás para repasse das ações de saúde que estão em andamento.

Secretaria de Desenvolvimento Social: afirmou que a situação de vulnerabilidade social que atinge o município é muito complexa em função da extensão do território e da problemática envolvendo o uso abusivo de álcool e outras drogas. A secretária informou também que só existe um Centro de Assistência Social (CRAS) no município e que fica localizado em território Xacriabás, o que dificulta os atendimentos.

Assim como na reunião com as lideranças, os representantes indígenas relataram a dificuldade de diálogo com a Polícia Federal e a FUNAI, além de cobrarem o retorno das reuniões integradas do Conselho de Segurança Pública que auxiliavam a comunidade.

Nota de Pesar

É com muito pesar que o Instituto DH se solidariza com a família, amigos/as e acampados/as do Acampamento Arco-íris, pelo falecimento do Sr. Adilson Divino da Silva, vítima de atropelamento às margens da Rodovia MG-461, em Gurinhatã, Triângulo Mineiro.

O defensor e trabalhador rural integrava o Movimento Luta pela Reforma Agrária e foi incluído em dezembro de 2020 no Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos de Minas Gerais (PDDH-MG) por ser uma das lideranças ativas no processo de regularização fundiária para assentamento definitivo das famílias do Acampamento Arco-íris. Técnicos do PPDDH-MG viajaram imediatamente para o município para entender melhor o ocorrido e prestar solidariedade pessoalmente aos/as assentados/as.

Neste momento de profunda dor e tristeza, a equipe e coordenação do Instituto DH e PPDDH-MG reitera o total apoio aos/as defensore/as de direitos humanos do Acampamento Arco-íris e as nossas mais sinceras condolências pela partida inesperada do Sr. Adilson. Além disso, reafirmamos a parceria em busca de justiça agrária e condições dignas de trabalho e moradia para os trabalhadores rurais em todo estado de Minas Gerais. 

Descanse em Paz
ADILSON DIVINO DA SILVA